O time de basquete do Grêmio terá um sério desfalque para o confronto de amanhã à noite, contra o Flamengo, pela quinta rodada do Campeonato Nacional Masculino Adulto. Não em quadra, mas na arquibancada, onde um garoto de 13 anos, junto daquela turminha mais brava, sempre postada atrás do garrafão direito do Moringão, já transformou-se em aliado de peso da equipe londrinense e um terror para os árbitros e jogadores adversários.
Hoje, enquanto participa em Bela Vista, no Chile, de um encontro mundial da Igreja Católica, com outros pioneiros de Schoesntatt londrinenses e paulistanos, Wagner Rodrigues Gôngora certamente terá um comportamento bem diferente daquele que costuma empregar nos jogos e que já o transformou numa espécie de torcedor-símbolo do Grêmio Londrinense - e dá-lhe palavrão na orelha do juiz.
Cesar AugustoCumprimentando os jogadores no treino: amizadeWagner explica que sua mãe não gosta muito de vê-lo dizendo alguns palavrões no ginásio. ‘‘Mas quando chega a hora do jogo tenho que soltar tudo. A gente tem que pressionar um pouco o juiz. Antes do jogo ela pede pra mim não falar palavrão. Não tem jeito, eles sempre ‘escapam’ em determinados momentos’’, diz o garoto.
Wagner assiste aos jogos - e treinos - da equipe londrinense desde que chegou o treinador Enio Vecchi. Nas partidas, ele não sabe o que fazer mais para torcer. E fica triste quando vê sua equipe perder. Nascido em Londrina dia 18 de junho de 1985, Wagner quer mesmo é ver o grupo de torcedores aumentar nas partidas do Grêmio e ajudar o time a vencer, pois, segundo ele, Londrina merece uma equipe de nível e que seja respeitada.
Estudante da 7ª série no Colégio Canadá, Wagner tem razões para gostar do basquete. ‘‘No ano passado, jogando de pivô, fui vice-campeão paranaense de basquete por Londrina, integrando uma equipe formada por jogadores do Grêmio e do Canadá, da categoria 85. Antes disso, tênis e futebol tinham a minha preferência. Depois do surgimento da equipe do Grêmio, fiquei definitivamente no basquete’’, conta ele. Filho de Gildete Rodrigues da Cruz Gôngora e Luiz Vicente Amadeo Gôngora (já falecido), Wagner tem duas irmãs gêmeas: Bruna e Camila. Apesar de ser um pouco obeso, ele tem na feijoada seu prato preferido.
Cesar AugustoBatendo bola com Claudio: momentos proveitososO gosto pelo basquete começou aos 11 anos e a paixão pelo Grêmio Londrina (ex-Grande Londrina) não demorou muito. ‘‘Aos poucos passei a assistir aos jogos e em seguida quis conhecer melhor os jogadores. Foi quando comecei a frequentar os treinos para saber mais de cada jogador e do técnico. Achei muito legal, porque eles foram sensacionais e hoje tenho um ótimo relacionamento com o treinador Enio Vecchi e todos os jogadores. Às vezes ligo para conversar e eles falam comigo numa boa, sem máscara. Acho tudo isso muito legal.’’
A amizade com os integrantes do time permite a Wagner bater bola com os jogadores nos intervalos dos treinos ou antes deles começarem - sempre com o consentimento do treinador Vechhi. ‘‘Ele sempre fala ‘a quadra é sua’, e aproveito cada momento’’, fala ele, com alegria.
Como torcedor, Wagner teve muitas alegrias, mas sofreu muito também. E foi no jogo contra Franca, no playoff de 97, que sofreu muito. ‘‘E olha que ganhamos aquela partida’’, esclarece. Para Wagner, ‘‘o mais gostoso é vencer o time do Oscar’’
‘‘A nossa torcida está melhorando, crescendo, e quem puder ir lá para se juntar a nós será melhor. A ‘Super Raça’ está precisando do apoio de alguém, que nos dê uma bandeira, ou uma faixa, para nossa identificação. Acho que os políticos poderiam fazer isso pelo nosso grupo’’, apela Wagner, que, no jogo, gosta principalmente das enterradas. ‘‘São sensacionais. Elas chegam a humilhar o adversário e dá mais moral ao jogador e força ao time que enterra.’’
Pelo que viu, Wagner acha que o Randy (armador) tem bom arremesso de três e o outro americano, o Byron (pivô), tem bons chutes. ‘‘Creio que são melhores que os dois do ano passado. Desta vez o Grêmio vai emplacar no playoff’’, aposta Wagner.

mockup