São Paulo, 14 (AE) - Passar a noite em claro na noite fria e de garoa de São Paulo não foi suficiente para tirar o bom humor do palmeirense Pedro Cremasco, primeira pessoa da imensa fila formada hoje, no Parque Antártica, para a compra de ingressos para a partida que definirá o campeão da Taça Libertadores da América. "Se a vida da gente não é tão boa, pelo menos o time do nosso coração dá muitas alegrias", justifica.
Cremasco, em companhia de amigos, chegou ao Parque Antártica por volta das 16 horas de domingo e passou a noite na porta do guichê. "Fez um pouco de frio e demorou até que algum vendedor abrisse a barraca para a gente comer alguma coisa, mas vale a pena." O torcedor quis dar um recado ao técnico Luiz Felipe Scolari. "Queria dizer que ele é importante para nós e eu, assim como os palmeirenses que conheço, gostaria que ele ficasse no clube, porque nos trouxe muitas alegrias", disse. "A gente está com você para o que der e vier."
Entre as pessoas que estavam com Cremasco, havia algumas que vieram de outras cidades. Clodoaldo Nascimento viajou de Pouso Alegre, em Minas Gerais, para São Paulo em busca de um ingresso. "Cheguei aqui na sexta-feira, achando que poderia comprar as entradas; como não foi possível, voltei no domingo à tarde", afirmou. O tempo livre foi gasto com muita conversa sobre a derrota para o Corinthians e a esperança de ver o Palmeiras garantir um lugar na disputa do título mundial, no Japão.
O vascaíno Giovan da Silva, de Araraquara, engrossava a fila. "Estou aqui para comprar ingressos para alguns amigos da minha cidade, que são palmeirenses", disse. "Como as torcidas são co-irmãs, virei com eles na quarta-feira (amanhã)." Alguns metros atrás, o grupo formado por Cassiano Perini, Rodrigo Kubitza e Fábio Bonini, que chegou de Jundiaí às 22h30 de domingo, lamentava ter perdido a prova na faculdade, mas não estava arrependido. "Fora o frio, a garoa, a fome e a vontade de ir ao banheiro, tudo bem", brincou Perini. "A gente improvisou uma fogueira e usou papelão e isopor como cobertor", emendou Kubtza. "Qualquer sacrifício compensa a alegria de ver nosso time campeão da Libertadores", concluiu Bonini.
Cultura - Há quem tenha procurado tirar proveito do tempo de espera na fila. Osvaldo dos Santos Filho passou a noite lendo. Depois de terminar A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, passou para O Balcão, de Jean Genet. "Estudo teatro e, por isso, trouxe os livros comigo", explica. "Precisei forçar um pouco a vista para ler, mas tudo bem", completou. De quebra, Santos Filho emprestou A dança da Morte, de August Strimberg, para o colega ao lado, Alessandro Priete.
Apesar do número reduzido de ingressos, todos apoiavam a iniciativa do Palmeiras de realizar a partida no Palestra Itália. "Aqui é nossa casa", disse Bonini. "A gente faz mais pressão e fica um caldeirão para o adversário."

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