Nascida em Curitiba, Ágatha (à dir.) chegou a pensar em treinar em Londrina, mas acabou optando por iniciar a carreira no vôlei de praia há cerca de 15 anos, em Santa Catarina
Nascida em Curitiba, Ágatha (à dir.) chegou a pensar em treinar em Londrina, mas acabou optando por iniciar a carreira no vôlei de praia há cerca de 15 anos, em Santa Catarina | Foto: Fotos: Paulo Frank



Os atletas que fizeram história no esporte têm uma característica em comum: não se contentam com apenas um ciclo vitorioso. A capacidade de se reinventar na carreira muitas vezes é fundamental para atingir novos patamares e conquistas. Algo que, sem dúvida, a jogadora de vôlei de praia curitibana Ágatha Bednarczuk Rippel, de 33 anos, está colocando em prática no início de 2017, após conquistar a medalha de prata na Olimpíada do Rio de Janeiro no ano passado.

A busca por uma vaga nos Jogos de Tóquio em 2020 envolve muitos desafios para essa paranaense que iniciou no esporte em Guarapuava e quase veio parar em Londrina (veja o box). O primeiro deles é a nova parceria de quadra, iniciada há duas semanas com a jovem Duda, de apenas 18 anos, após encerrar a dupla vitoriosa com Bárbara Seixas, que culminou na conquista olímpica. E já com título na estreia: Ágatha e Duda já foram as campeãs neste domingo (29) da sexta etapa de João Pessoa do Circuito Banco do Brasil (veja box).

O segundo é um velho problema de alguns esportes no País: a busca por patrocínios para bancar uma estrutura profissional que envolve 11 profissionais, entre fisiologistas, nutricionista, endocrinologista, e a vitoriosa técnica, Letícia Pessoa, que já comandou atletas como Alisson, Emanuel, Adriana Behar e Shelda.

Após o título na Paraíba, elas já encaram a primeira etapa do Circuito Mundial, em Fort Lauderdale, importantíssimo para a temporada. "Essa primeira etapa vale muito e todos os times estão com a pontuação muito próximas, por isso queremos ir bem. Nossa rotina está muito pesada e para nos entrosar rapidamente, viemos para Saquarema, no Centro de Treinamentos da CBV".

Relação Intensa

A relação está sendo intensa para que primeiro venha o vínculo pessoal e, assim, gerar o vínculo técnico dentro de quadra. Ágatha compara ao início de um namoro, quando ainda não se conhece o parceiro com profundidade. "Você aprende como a pessoa reage nos momentos de alegria, dificuldade, como é o seu dia a dia. Estamos dormindo no mesmo quarto para a relação sair da superficialidade. Assim vou saber como chamá-la durante a dificuldade de uma partida, como incentivá-la e gerar essa química tão importante".

Após o trabalho intenso em Saquarema, a dupla fará sua preparação para o novo ciclo olímpico no Marina Barra Clube, na Barra da Tijuca. É lá que a equipe profissional trabalhará em conjunto para que os resultados apareçam. "Essa equipe de 11 pessoas se relaciona entre si e tem abertura uns com os outros para preparar o trabalho. Isso mostra o quão profissional nosso esporte está se tornando e não se trata de apenas a dupla e o técnico. O resultado virá da força desse conjunto".

Aliás, o planejamento estratégico do time já está bem traçado. A vaga para Tóquio virá apenas em 2019, mas elas precisam chegar lá afiadas, conquistando degraus menores. "Neste primeiro ano precisamos pensar na cara do nosso time, pensar no circuito brasileiro, nos tornar campeãs, ir bem no circuito mundial e na Copa do Mundo, que acontece de dois em dois anos. Essa é uma experiência que antecipa as Olimpíadas e só acontece novamente em 2019, com pontuação muito importante para conquistarmos a vaga".

Por fim, Ágatha elogia a intensidade da treinadora Letícia neste início de temporada e, claro, a qualidade de Duda, que se mudou de Aracaju, onde era treinada por sua mãe, a ex-jogadora Cida. "A Duda é uma estrelinha que precisa ser lapidada. Tem potencial muito grande, cabeça boa, e uma frieza em quadra que sempre chamou minha atenção. Eu vou poder ajudar muito ela em relação à experiência e, claro, ela também irá me puxar nas partidas".

mockup