TOQUE DE PRIMEIRA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de janeiro de 2003
Luiz Claudio Oliveira<BR>[email protected] 
O homem que deu
chance a Garrincha
Olá, amigos do esporte! Eu não cheguei a ver Julinho Botelho jogar. Dele só vi as poucas e impressionantes imagens de suas participações na seleção brasileira. Trechos que não dão nem um minuto corrido, mas que dão um bom exemplo de tudo aquilo que já ouvi falar a respeito dele, que morreu no final de semana passado. Duas histórias são as mais marcantes e merecem aqui registro porque nunca é demais homenagear craques como ele, que sobreviverão por muito tempo por causa de suas atitudes dentro e fora de campo. Histórias coletadas com auxílio de dois jornalistas, Nireu Teixeira e Luiz Geraldo Mazza, que acompanharam um pouco da trajetória campeã de Julinho.
A primeira história vem como exemplo de despojamento e caráter deste que foi um dos melhores atacantes brasileiros de todos os tempos. Ele jogava na Itália e recebeu a convocação para integrar a seleção brasileira que se preparava para a Copa de 1958, a primeira a ser conquistada pelo Brasil. Ele enviou uma carta para o Brasil, abrindo mão de sua convocação e aconselhando que se desse chances a jogadores iniciantes que estavam despontando no futebol brasileiro e que estariam em melhor forma do que ele. Foi só por causa disso que Garrincha foi convocado e começou a mudar o futebol brasileiro e o futebol mundial. Garrincha não iniciou como titular a Copa de 58, era reserva de Joel, mas foi a pedido de seus colegas jogadores, depois das duas primeiras partidas, que o time mudou e foi campeão. Depois, em 1962, Garrincha foi decisivo para a conquista do bicampeonato mundial. Quem sabe o que teria acontecido se Julinho tivesse aceitado a convocação?
A segunda história também envolve Julinho e Garrincha. Em um jogo no Maracanã, Julinho foi convocado no lugar do gênio de pernas tortas para a ponta direita da seleção brasileira. Quando seu nome foi anunciado pelos alto-falantes, o público carioca começou as vaias, decepcionado por ver o paulista no lugar de Garrincha. As vaias continuaram quando ele entrou em campo e cresciam a cada vez que ele tocava na bola. Segundo conta a lenda, elas refrescaram apenas um pouco quando ele fez o primeiro gol da seleção. Julinho entendeu que o público queria ver Garrincha e passou a jogar como o ídolo de Pau Grande (RJ), dando inúmeros dribles nos adversários, enganando todos e fazendo a jogada do segundo gol. Então, alguém solitário começou a aplaudir e aos poucos os torcedores foram se rendendo ao futebol do jogador e as vaias transformaram-se em aplausos, que empolgaram todo o estádio. Foi a maior virada que o Maracanã já viu.
Futuro sombrio Pelos jogos-treinos realizados ontem em Curitiba, o futuro é sombrio para Atlético e Paraná Clube, que perderam para Joinville e Kindermann (quem?). Só o Coxa foi feliz e goleou o Rio Branco por 4 a 0.
Futuro luminoso O time junior do Atlético saiu desacreditado e fez bonito na Copa São Paulo de Juniores ao chegar à segunda fase da competição pela primeira vez na história. Mesmo sendo desclassificado nos pênaltis ontem, a campanha foi melhor do que era esperado.


