TOQUE DE PRIMEIRA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de dezembro de 2002
Luiz Claudio Oliveira<BR>[email protected] 
Clubes metem a mão no
bolso dos jogadores
Olá, amigos do esporte! Quase todo mundo viu os jogos decisivos do Brasileirão-2002 ontem à noite pela televisão, não foi? Pois há um fato ligado às transmissões de futebol que vai dar a maior confusão. Os clubes de futebol do Brasil estão, cada vez mais, metendo a mão nos bolsos dos jogadores. São comuns as notícias sobre atrasos de pagamentos e mesmo não recolhimento de obrigações trabalhistas. Além disso, para se livrar de taxações e outras obrigações fiscais, lançam na carteira de trabalho apenas parte do que é tratado com o jogador como forma de pagamento. O restante, conhecido como ''por fora'' deveria ser pago como ''direito de imagem''. Frequentemente esse direito de imagem deixa de ser pago ou sofre atrasos. Os três clubes de Curitiba Atlético, Coritiba e Paraná Clube estão atrasados com as obrigações sobre o direito de imagem dos atletas. Mas tem uma outra coisa que vai além e que poderia engordar o bolso dos jogadores neste final de ano e que está sendo embolsado pelos clubes na maior cara-de-pau. Trata-se do direito de arena.
O direito de arena está previsto pela Lei Pelé, que comanda o esporte e, em consequência, o futebol brasileiro. Na lei, está dito que o atleta terá direito a pelo menos 20% do que os clubes comercializarem como direito de arena, ou seja, os direitos de transmissão dos eventos esportivos negociados com as televisões. Pois nada do que foi ganho pelos clubes como direito de Arena foi repassado para os jogadores dos clubes de Curitiba neste ano que está findando. Copa do Brasil, Superparanaense, Copa Sul-Minas, Copa dos Campeões e Brasileirão. Nada menos do que cinco competições que renderam para os clubes e não renderam nada para os jogadores. Se fôssemos contar apenas o Brasileirão-2002, os três clubes de Curitiba receberam cerca de R$ 10 milhões da Rede Globo neste ano. Deste total, cerca de R$ 2 milhões deveriam ser revertidos para os jogadores, ou seja, uma bolada que cairia muito bem em véspera de Natal.
Vamos fazer os cálculos clube a clube. O Atlético e o Coritiba ganharam só no Brasileirão, repito R$ 4,4 milhões cada um. Vamos considerar que um grupo de 20 jogadores participou das partidas em cada equipe. O dinheiro que teria que pingar no bolso de cada um deles seria de R$ 44 mil. No Paraná Clube, que recebeu apenas R$ 1,2 milhão, o grupo de jogadores teria direito a rachar uma bolada de R$ 240 mil, ou R$ 12 mil por cabeça. Se fossem contados os outros campeonatos Copa do Brasil, Copa Sul-Minas, Superparanaense e, no caso do Atlético, Copa dos Campeões, esta bolada poderia dobrar de valor.
Tudo bem que os clubes estão chorando por causa de problemas financeiros, mas o que é de lei é de lei. Tanto que o Sindicato dos Atletas Profissionais do Paraná, comandado pelo valoroso triatleta Juracy Moreira Júnior, já entrou com uma representação no Ministério Público do Trabalho pedindo a imediata reposição para os atletas do que os clubes estão lhes devendo. Ou os clubes fazem um acordo ou vão ter que aceitar o que a Justiça do Trabalho determinar e a decisão dificilmente vai ser contra o direito dos atletas. A briga pelo direito de arena vai lembrar a dos gladiadores.


