Decisão em 2002 e
indecisão para 2003

Olá, amigos do esporte! Vivemos clima de decisão deste Brasileirão 2002. Os melhores times estão em campo disputando a vaga nas semifinais e hoje tem São Paulo e Santos que, apesar da vantagem santista, ninguém arrisca dizer quem passa. O jogo reúne alguns dos principais nomes do futuro do futebol brasileiro. De um lado, o futebol vistoso e simples de Cacá. De outro, o endiabrado Robinho, o clássico Diego e o rápido Elano. Além deles, os experientes e participantes da campanha do penta da seleção brasileira, Ricardinho e Rogério Ceni. Tem tudo para ser um jogão. Mas contrastando com o clima de decisão, acontece uma outra coisa que só mesmo aqui no futebol brasileiro. A total indefinição do calendário e da forma de disputa do Brasileirão do ano que vem.
A CBF divulgou um calendário prevendo um Campeonato Brasileiro em nove meses e já não sabe mais se este valerá ou não. Não se sabe também se a forma da disputa será em dois turnos e pontos corridos, ou se será em uma decisão reunindo os campeões de cada turno, ou se haverá um hexagonal decisivo. Tudo pode acontecer e as pressões para a virada de mesa continuam, apesar das negativas do Clube dos 13 e da CBF mas quem é que põe a mão no fogo pela palavra dos nossos dirigentes?
Da mesma forma, está anunciado que acontecerá, a partir de 25 de janeiro, o Campeonato Paranaense. Mas os dirigentes de clubes querem a volta dos torneios regionais e brigam por eles contra as federações e a CBF. É mais uma dúvida para o torcedor e os possíveis investidores.
Falando em investidores, a Globo quer que os clubes de futebol se solidarizem com a crise que ela está passando e apresenta uma proposta de redução de valores. Antes, já havia diminuído os valores pelos direitos de transmissão do Brasileirão do ano passado para este e agora quer diminuir ainda mais. O preço estava em R$ 224 milhões e agora a Globo quer pagar apenas R$ 168 milhões. Uma pequena redução de R$ 56 milhões, que faria a alegria de todos os clubes da Segundona deste ano.
Caso todos os clubes recebessem a mesma cota o que não acontece pois há uma discriminação entre os participantes, imposta pelo próprio Clube dos 13 que não trata os seus como iguais , cada um receberia quase R$ 10 milhões no total. Como o campeonato será mais longo daria pouco mais de R$ 1 milhão por mês. É mais do que Coritiba e Atlético receberam neste ano e quase 10 vezes mais o que foi destinado ao Paraná Clube. Acontece que Corinthians, Flamengo, São Paulo, Fluminense, Santos e até mesmo os rebaixados Palmeiras e Botafogo recebem mais. Então, para pagar mais para eles, paga-se menos para os outros. Pela nova proposta da Globo, o Paraná CLube receberia em 2003 perto de R$ 70 mil por mês, praticamente uma mesada. Enquanto isso, Palmeiras e Botafogo, que cairam para a Segundona, continuariam recebendo R$ 1 milhão mensais cada.
Esta diferença de repasses da verba da televisão, que não tem nada a ver com a Globo, mas com o próprio Clube dos 13, é difícil de explicar. É como se você, leitor, fosse promovido ao cargo de chefe, mas aquele funcionário, rebaixado por falta de produção ou de rendimento para a empresa, ganhasse 10 vezes mais que o seu novo salário. Dá para se contentar com isso?
Como sempre, no futebol brasileiro, as decisões e a beleza do futebol dentro de campo não se refletem fora dele.

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