Futebol brasileiro
deve virar a própria mesa

Olá, amigos do Esporte! O Brasileirão está chegando ao fim e está bastante interessante tanto na parte de cima quanto na parte de baixo da tabela. A perspectiva de caírem dois clubes tradicionais para a Segunda Divisão até ontem, Botafogo e Palmeiras eram os mais prováveis traz de volta aquela velha conversa sobre virada de mesa. A direção da CBF e do Clube dos 13, com toda a autoridade e credibilidade que dispõem, asseguram que não terá virada de mesa, caia quem cair, ou ''duela a quien duela'', como diria um ex-presidente-deposto. Isso só aumenta a apreensão do torcedor, pois o mesmo já foi assegurado antes e esses dirigentes viraram a própria mesa, mas não como propôs o economista Ricardo Semler, autor do famoso livro sobre administração.
Semler propunha inovação e uma nova forma de ver a administração. Mudança de métodos ortodoxos por outros criativos. E sempre visando o sucesso. Nada a ver com repetição de fórmulas batidas e casuísticas que sempre deixam a administração do futebol brasileiro no atraso. Como diz o técnico Carlos Alberto Parreira, quando o Brasil tiver uma boa administração e um bom planejamento no futebol seremos como a NBA é no basquete mundial.
O Milan, da Itália, e o Manchester United, da Inglaterra, dois dos clubes de maior sucesso mundial já caíram para a Segunda Divisão. Voltaram de lá fortalecidos e ''viraram a própria mesa'' para voltarem a trilhar os caminhos da organização e do planejamento. Se Botafogo e Palmeiras além de Flamengo, Vasco, Atlético Paranaense, Paraná Clube e outros estão hoje em situação delicada, deveriam primeiro voltar os olhos para suas próprias entranhas e ali buscar as razões do insucesso. Certamente encontrarão muitos exemplos do que não deviam ter feito. Até mesmo os vencedores devem fazer sempre o exercício de autocrítica para sempre poderem melhorar.
O que nossos cartolas deveriam aceitar agora era justamente a queda e até a necessidade de se melhorar nossa Segunda Divisão. Hoje ela está órfã da CBF e das federações, com quase nenhum patrocínio para as equipes e mesmo assim, sobrevivendo. A duras penas, mas sobrevivendo. A chegada de clubes tradicionais, como Botafogo e Palmeiras, daria maior visibilidade e consequentemente, possibiliade de patrocínio e melhores rendas para a Segundona. Quem sabe se esta maior visibilidade também não exigiria melhores condições de jogo com campos bem tratados, estádios mais limpos e confortáveis, etc.
O que os dirigentes têm que ver é que a Segunda Divisão não é um depósito de clubes imprestáveis que nunca subirão. As competições foram feitas para premiar os melhores, os mais organizados, o bom planejamento, os mais criativos e isso deve acontecer em qualquer divisão. Os clubes da Primeira deveriam tratar os da Segunda como iguais ou, no máximo, como futuros parceiros. Afinal tanto uns podem cair quanto os outros subirem.
O ano que vem promete ser decisivo para o futebol brasileiro. Se a proposta de um campeonato em dois turnos e pontos corridos se confirmar, tanto na Primeira quanto na Segunda Divisão, se for votada a legislação que moraliza o esporte, se não houver virada de mesa.... Mas, como se diz: no futebol não existe o ''se''. Então, é esperar para ver.

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