TOQUE DE PRIMEIRA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de abril de 2001
Luiz Claudio Oliveira 
A decisão da Superliga Feminina de Vôlei, com o Flamengo sagrando-se campeão frente ao Vasco, vai deixar o nosso vôlei de quadra menos técnico e bem menos bonito. A partida final marca a aposentadoria da levantadora Fernanda Venturini e pode marcar a mudança da meiga Leila para o vôlei de praia.
Fernanda Venturini deixa o vôlei para comandar o projeto pessoal de ser mãe. A levantadora, que tem radares nas pontas dos dedos, tal a precisão de seus levantamentos, participou de sua quarta decisão consecutiva, das quais levantou o troféu de campeã por duas vezes e o de vice por outras duas.
Ouço dos repórteres que Fernanda, pessoalmente, seria um tanto esnobe, meio metida, para falar claramente. Não a conheço pessoalmente e por isso falo exclusivamente de seu trabalho dentro da quadra. Quando atuou pelo Rexona, no Paraná, foi a grande responsável por deixar o time na ponta. Lá na quadra, ela sempre foi a comandante, se não pela personalidade, pela qualidade de seu vôlei, que é um dos melhores do mundo. Tomara que não, mas acredito que vá demorar para o Brasil voltar a ter uma levantadora como Fernanda. Por melhor que jogue a Fofão, atual levantadora de nossa seleção, ela nunca vai ser a Fernanda, com suas inúmeras variações de jogada e a precisão incrível.
Saindo do meio da quadra e indo para a ponta, Leila, com sua canhotinha tão formosa quanto poderosa, também desfalcará as laterais da seleção caso mude mesmo para o vôlei de praia. Mas, quem sabe, se decidir mesmo mudar de ares, não será melhor para nós, espectadores atentos, vê-la distribuir charme, simpatia, beleza e porradas na praia, com um traje um pouco mais revelador.
Flamengo, Vasco e a mídia
Um jogo de vôlei que reúne Leila, Virna, Tara Cross de um lado e Fernanda Venturini, Denise e Natasha, de outro, sempre é muito bom. Portanto, não quero desfazer da qualidade do espetáculo. Mas fico a me perguntar se a decisão fosse com o Rexona ou com o BCN, ou com qualquer time fora do Rio, mereceria tanta atenção da mídia Global? Quando o Rexona tinha Venturini, Elisângela, Ana Volponi, Raquel e Érika, por exemplo, mereceu tanta atenção? É claro que não e isso só vem a comprovar a centralização da mídia nacional.
Essa centralização acontece em todas as áreas, seja no esporte, na política, na cultura ou na economia. Enquanto o Paraná ou qualquer outro Estado apenas olhar e aceitar, de boca aberta e chacoalhando a cabeça de vaca-de-presépio, as coisas que vêm dos grandes centros, não vamos conseguir nos impor.
É comum no Paraná os torcedores, mesmo que nascidos aqui, escolherem times de futebol de fora do Estado, sejam de São Paulo, do Rio de Janeiro ou do Rio Grande do Sul. Imposição da mídia ou escolha pessoal? Influência dos pais que migraram para cá? Tanto faz, agora é hora de lutar contra o domínio avassalador. Em tempos de internet, é mais fácil reivindicar. Reclame! Lute pelas coisas do Paraná pois só assim seremos universais!
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