TOQUE DE LETRA
A volta do basquete brasileiro à uma Olimpíada depois de uma lacuna de 16 anos corou um trabalho de um grupo renovado de jogadores, que acreditaram que era possível contrariar a tudo e a todos, que superou os ''desfalques''. Mas mais do que isso, coroou a coragem da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) em peitar a opinião pública da área e apostar em um técnico estrangeiro.
Primeiro com o espanhol Moncho Monsalve, que deu o pontapé inicial nesse processo de renascimento. Depois com o argentino Rubén Magnano, campeão olímpico com a Argentina em 2004. Foi esse hermano que reensinou o basquete brasileiro a jogar, com uma defesa forte, disciplina tática e muito alma. Valorizou o grupo de jogadores que fez questão de honrar a camisa brasileira, quando os ''astros'' da NBA viraram as costas.
Coragem essa que falta ao dono da seleção brasileira de futebol, Ricardo Teixeira. Um técnico estrangeiro no comando da ex-seleção mais temida do mundo no lugar de Mano Menezes faria um trabalho pior que o do atual comandante? Acho difícil.
Está mais do que provado que no Brasil, hoje, não há treinador que possa fazer com a Seleção o que Magnano fez no basquete. Não há um técnico que esteja a altura deste cargo. E o Muricy? Sim, é o mais honesto, mais trabalhador, bom técnico, mas mas não é o treinador com ''T'' maiúsculo que o time brasileiro precisa. Por que não se vê um técnico brasileiro se dar bem no Velho Continente? Aliás, dificilmente alguém é sondado.
É hora de apostar em um nome de fora. Já pensou como seria tentador para Pep Guardiola receber um convite para trocar o Barcelona pelo Brasil? E o intragável José Mourinho? Ele pode ser marrento, mas está anos a frente dos nossos ''profexores'', que acham que na base da boleiragem e dos esquemas podem continuar enganando.
Pelo Brasil, está cheio de Professor Pardal. Os treinadores brasileiros pararam no tempo e os clubes também. Tanto que são totalmente previsíveis as trocas de comando no país. Quando um sai de determinado clube, todo mundo já sabe quem vai assumir.
Vicente Del Bosque conseguiu dar à Espanha o tão esperado título mundial que a Fúria perseguia. Já pensou entregar nas mãos dele o projeto de ressuscitar a seleção brasileira? Carlos Bianchi está aposentado, mas uma proposta canarinha poderia fazê-lo tirar o pijama e os chinelos. Arséne Wenger com certeza ficaria lisonjeado com o convite, assim como tantos outros gringos.
Para mudar a seleção brasileira, é preciso um treinador que além de ser um grande estrategista, tenha isenção, coragem de barrar quem não tem mais tesão, quem se acha astro pop. Chega de técnico meia boca e de empresário convocando e escalando.





