''Me torturei sem você e então te busquei pelos caminhos da recordação. E no canto mais distante, te agitava para voltar. E por livrar-te deste inferno, e se arrastou até a minha vida sem amor. Com sua dor e seu silêncio, disfarçamos um passado que lutava por querer voltar''. A primeira estrofe de ''Mi Tango Triste'', clássico do falecido compositor argentino José Maria Contursi, pode simbolizar o que significa esta edição da Copa América para os anfitriões, apaixonados como poucos por futebol e que estão em uma busca incessante pelo reencontro com as conquistas.
A última conquista expressiva da seleção principal da Argentina foi a Copa América de 1993, há longínquos 18 anos. Desde os 2 a 1 sobre o México, em Quito, no Equador, em julho de 93, a Argentina amargou fracassos e, pior, viu o Brasil colecionar títulos sul-americanos e a Copa do Mundo de 2002. Nas duas últimas edições, os hermanos perderam justamente para o Brasil na decisão.
Por essas e outras, vencer a Copa América é questão de honra para a Argentina, que ontem comemorou os 25 anos do bicampeonato mundial, conquistado na Copa do México, em 1986. Por isso, ela é ainda mais favorita do que nunca. Além da necessidade de desabancar o Brasil e voltar a dar a volta olímpica, os argentinos tem toda a torcida a favor. Das seis vezes que a competição foi disputada na terra de Maradona, os anfitriões venceram cinco. Além disso, eles têm ''o cara'', o melhor do mundo, Messi.
Porém, como diria aquele grande filósofo que também narra jogo no plim-plim: ''Brasil x Argentina é sempre Brasil x Argentina''. Por isso, óbvio que a renovada seleção brasileira entra no balaio dos postulantes ao título. Já pensou em uma final entre os dois e a antecipação do tão esperado confronto entre Messi e Neymar?
Para Mano Menezes, a Copa América é tão obsessão quanto para os argentinos. Ele não ganhou de ninguém expressivo até agora em sua Era à frente da Seleção. Vencer o torneio na casa da maior rival seria um cala-boca e tanto aos críticos e um grande combustível para impulsionar sua caminhada rumo à Copa de 2014. Até porque, deve ser chato conviver com a sombra do Muricy Ramalho.
Não se pode esquecer do Uruguai. A celeste olímpica vem com força máxima e com ele, um dos grandes atacantes europeu da última temporada, cobiçado por gigantes do Velho Continente. Se acharam que falava de Diego Forlán, se enganaram. Sim, ele foi eleito o melhor do Mundial da África do Sul, mas isso já faz um ano. Hoje, quem bota no medo nos rivais é Edinson Cavani, artilheiro do Napoli, que fez o time que já foi de Maradona e Careca ressurgir. Ah, o Lugano também bota medo nos adversários, mas por outros motivos.
Alguém arrisca outro candidato ao título? Venezuela? Bolívia? Peru?

Thiago Mossini
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