Você compraria um carro usado do Joseph Blatter? E do Ricardo Teixeira? Do João Havelange? Bom, eu não. De nenhum deles e de um monte de outros cartolas.
Futebol e política cada vez mais se confundem. O futebol deixou de ser esporte faz muito tempo para ser um mundo lucrativo e promíscuo, tanto quanto a política, comandado por alguns coroneis e seus beijadores de mão.
A Rede Record comprou uma grande briga esta semana com os caciques do futebol nacional e mundial ao exibir a série ''Cartolas: Jogo Sujo'', que começou no Domingo Espetacular e tem sequência até o final da semana no Jornal da Record. A série comandada por Luiz Carlos Azenha é simplesmente sensacional. Vai no rim do ''Rei Ricardo'', de seu ex-sogro, João Havelange, e de muito peixe grande. Mostra como o amigo do ex-presidente do Londrina, Peter Silva, ganhou dinheiro, poder e construiu um patrimônio inimaginável.
Muita gente fala que a emissora do bispo só fez a série por ter sido preterida na briga para transmitir o Brasileirão nos próximos anos. Mesmo que isso seja verdade, ainda assim, é de tirar o chapéu. É um grande serviço não só ao futebol nacional mas ao país.
O triste é ver a Globo fechar os olhos para o problema e, como ocorreu na eleição do não menos suspeito Blatter, até agir como advogada de defesa desse bando.
Hoje são os interesses e o dinheiro que ditam o ritmo e as regras. Ai de quem ousar questionar. A entidade máxima do futebol, que teria obrigação de botar ordem na casa, já virou a casa da Maria Joana, ou um mercado de peixe. ''Só hoje: voto baratinho''. ''Vende-se uma sede de Copa do Mundo, tratar direto com o proprietário''.
Na Fifa, pipocam acusações de suborno envolvendo seus manda-chuvas. Nada é feito. Tudo é jogado para debaixo do tapete, igual acontece em Brasília, sabe?
Os nossos ilibados deputados fecham os olhos. Tudo por uma favor aqui, um agrado ali, um camorate no jogo da Seleção acolá. Além da sonegação fiscal e os outros crimes contra o patrimônio público cometido por essa gente, há algo mais grave em questão. É o próprio Rei Ricardo que preside o comitê local da Copa de 2014. Portanto, é ele que toma as decisões, inclusive as financeiras.
Enquanto as torcidas brigam entre si, os bandidos da bola enriquecem. Protestar? Pra quê? Ao invés de ir às ruas exigir investigação e, se for o caso, punições, os torcedores preferem xingar e brigar com o adversário, quebrar carro de jogador, ameaçar treinador.

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