Ontem completaram-se cinco anos da morte de um dos maiores locutores esportivos de todos os tempos, Fiori Gigliotti. Dono de bordões inesquecíveis, ele dedicou 59 anos de seus 77 de vida ao rádio esportivo. Virou um mito da ''latinha''.
Lá de cima, viu um dos mitos da bola fazer seu último jogo pela seleção brasileira. Impossível não ter narrado a partida para a torcida celestial. Mas já imaginou como Fiori Gigliotti narraria a carreira do Fênomeno? Ele teria frases geniais para definir cada momento da carreira de Ronaldo. Certamente construiria uma crônica fenomenal para o seu ''Cantinho da Saudade''.
''Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo, torcida brasileira''. 1993, surge no Cruzeiro uma joia rara para o futebol mundial. Magrelo, dentuço, feio, mas já espetacular, é campeão mundial com 17 anos, em 94.
Vai para a Europa e faz ''uma beleeeeeeeza de gol'', atrás do outro. Chega a Copa do Mundo de 98. Ronaldo tem uma convulsão antes da final. ''Agueeeeeenta coração!''. O Brasil perde, os boatos se espalham. As mais diversas teorias de conspiração são criadas.
Mas Ronaldo faz jus ao apelido. É um Fênomeno. Supera a convulsão, as cirurgias, as lesões. ''O teeeeeempo passa, torcida brasileira''. E chega a Copa de 2002. Ele é um fênomeno, não é? E Ganha a Copa para o Brasil. ''Agueeeeenta coração!''.
O tempo continua passando. As mulheres de sua vida também. As lesões vão aumentando, assim como as dores. A mobilidade vai diminuindo. Chega a Copa de 2006, o Fênomeno já não era o mesmo. Afinal, ''o teeeeempo passa, torcida brasileira''. A seleção dá vexame.
A barriga, então, começa a crescer. Ele volta ao Brasil. Mesmo com dores e fora de forma, sobra no futebol brasileiro. Vira orgulho e símbolo corintiano e um fênomeno de faturar dinheiro.
Mas vai chegando ''o crepúsculo do jogo'', a hora de parar. Ela vem, em 2011. Assim como vem a mais do que justa despedida do maior artilheiro das Copas do Mundo com a camisa da seleção brasileira. Trinta mil pessoas a ovacioná-lo no Pacaembu. Outros milhões nas tevês pelo mundão afora.
''O tempo passa, torcida brasileira''. Quinze minutos em campo, três chances claras de gol, mas Ronaldo não conseguiu marcar ''uma beleeeeeeza de gol'' em sua despedida. Isso é o de menos, há outras centenas que ficarão para a posteridade, já que o nome dele está gravado na galeria dos imortais.
Final do dia 7 de junho de 2011. Pacaembu, São Paulo. ''Fecham-se as cortinas, termina o espetáculo, torcida brasileira''. Acaba o show de um fênomeno. ''Ronaldo, um beijo no seu coração''.

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