Cinco letras são suficientes para deixar boa parte dos madrilenhos sem dormir por noites. Cinco letras que significam um fantasma que eles não conseguem exorcisar. Messi dispensa apresentações. É como se tivesse pegado para si o dom de jogar futebol, o talento, de várias crianças de sua geração. Um dom em especial também é particular nele: o de atormentar o grande rival de seu Barcelona, o Real Madrid.
Ser decisivo nestes confrontos é pouco para esse argentininho de 1m69 de altura. Ele tem de ser decisivo e dar espetáculo, mostrar que está quilômetros acima dos demais, inclusive do que o astro que joga do outro lado, aquele que tem pinta de galã, o português.
Ver Messi jogar é como ver um grande pintor trabalhar. Cada toque na bola é uma pincelada, sempre certeira, sempre plástica, sempre estimulante, que desperta o desejo de ver em quê vai dar aquele traço, aquela jogada.
Cada drible, cada arrancada, cada toque de efeito é uma nota de maestro, que rege sua orquestra, a mais vistosa, eficiente, apreciada e invejada do mundo. Quando o juiz apita o início do jogo, o espectador já sabe que o final desta apresentação será uma obra de arte, com direito a aplauso de pé.
Ver Messi jogar é prazeroso até para nós, brasileiros, que ficamos com a aquela perguntinha típica de dor de cotovelo na cabeça: ''por que ele não nasceu aqui?''. Sim, Messi é argentino, mas nem isso é problema.
Messi é argentino e ídolo de muitos brasileiros. Até isso ele consegue. Em uma época de escassez de ídolos, ele preenche essa lacuna no arquirrival argentino. Ou você nunca viu seu filho dar um drible e gritar ''Messi!''. Ou mesmo teve que comprar uma camisa do cara para o moleque? Eu tive.
Seus dribles não tem como objetivo humilhar o rival, mas sim se livrar dele para chegar ao gol. Por mais que leve um drible desconcertante, o zagueiro adversário não se sente ofendido. Claro, há as exceções de Sérgio Ramos e Pepe, por exemplo, mas a dupla defende o Real, a grande vítima do sucessor de Maradona, e merece um desconto.
Ao contrário de muitos outros gênios momentâneos, ele não deixou a fama, a noite, as mulheres, a arrogância atrapalharem sua carreira. Não virou craque de marketing, de revista de fofoca, de rodas de samba. Por isso, Messi é Messi e os outros tentam vê-lo com a ajuda de binóculos. Por isso, continua encantando o mundo e não apenas um grupinho de pagodeiros no Rio.
Por Thiago Mossini

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