Os jogadores mais experientes tentam entrosá-lo, a diretoria se aproxima da família para explicar o projeto, a comissão técnica aciona os profissionais da base para saber quais fundamentos precisam ser aperfeiçoados e o treinador, por fim, decide os momentos certos de usá-lo. É dessa forma, com todos os departamentos mobilizados, que o Palmeiras está lapidando sua joia: Gabriel Jesus.
Satisfeito com o que tem visto nos treinos, Oswaldo de Oliveira entendeu que já era hora de fazer o jovem de 17 anos vivenciar o dia a dia dos jogos. Levou-o para o banco contra o Vitória da Conquista (BA), na Copa do Brasil, e mandou-o a campo aos 26 minutos do segundo tempo contra o Bragantino, sábado, pelo Paulista. A participação foi satisfatória e os holofotes se voltaram para Gabriel, mas não por muito tempo. O técnico vai preservá-lo e já avisou que não o levará para o banco contra o Santos, quarta, na Vila.
- Ele está cercado de uma euforia e talvez não entenda ainda o que está acontecendo. Temos de ter controle sobre isso - disse o comandante.
O próprio garoto admitiu que em poucos minutos já estava "abafado", sem ar, por não ter dosado o ritmo. É nessas horas que atletas mais vividos entram em cena: Rafael Marques, por exemplo, procurava orientá-lo a todo instante no gramado. Fora de campo, também é assim.
- Os caras conversam, me dão exemplos, contam histórias. Se você olhar, quando eu entrei, eles sempre me procuravam para dar a bola, me dar ritmo - comentou Jesus.
A torcida, que pediu a entrada do prodígio repetidas vezes e festejou a cada toque na bola no sábado, estava ansiosa. Inquietude que a diretoria não deixou chegar à família do jovem. Há cerca de dez dias, a mãe dele teve reunião com o gerente Cícero Souza na Academia e ficou sabendo da ideia de levá-lo ao jogo na Bahia.
Bruno Petri, técnico de Gabriel no sub-17, também foi chamado para conversar. A comissão técnica queria trocar informações sobre o que ainda precisa ser corrigido nele.
Fora isso, houve uma blindagem da assessoria de imprensa antes da estreia. Embora já seja um dos mais assediados do elenco, ele não vinha dando entrevistas para evitar qualquer comentário mal interpretado.
O fenômeno vai virar diamante?

Imagem ilustrativa da imagem Todos por Jesus
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