Todo poderoso, Tite assume seleção brasileira
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quarta-feira, 15 de junho de 2016
Marcio Dolzan e Vítor Marques<br>Agência Estado 
Rio - Tite assume o comando da seleção brasileira de futebol com plenos poderes. Ao aceitar o convite da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o treinador leva junto a sua comissão técnica e um homem de sua confiança, o ex-gerente de futebol do Corinthians Edu Gaspar. Além disso, ficou definido que ele não comandará a seleção olímpica no Rio, em agosto.
Todas essas solicitações foram discutidas na noite da última terça-feira, em reunião que durou mais de 3 horas na sede da CBF. Ele disse "sim" ao presidente Marco Polo Del Nero e já não dirige mais o Corinthians, encerrando outro ciclo vitorioso como treinador.
A confirmação de que ele aceitou o convite foi feita na tarde de ontem por um enfurecido presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, desgostoso com a maneira que, segundo ele, a CBF tratou o clube. "Não recebi nenhum telefonema. Merecíamos um pouco mais de respeito. Hoje (quarta) ele (Del Nero) tentou falar comigo depois de tudo resolvido", disse o dirigente. "O Tite merece a seleção, mas a CBF não merece uma pessoa como o Tite."
Acompanharão Tite o auxiliar técnico Cleber Xavier, seu filho e também auxiliar, Matheus Bacchi, e o gerente de futebol Edu Gaspar, que ocupará um cargo semelhante ao que pertencia Gilmar Rinaldi, demitido junto com Dunga depois do fiasco da seleção na Copa América Centenário, nos Estados Unidos.
Rogério Micale comandará a seleção olímpica nos Jogos do Rio. Tite havia dito a Del Nero na terça-feira à noite que não era justo assumir a equipe da Olimpíada uma vez que toda a preparação já havia sido iniciada por Micale (leia mais na página 10).
Tite não aceitou o convite logo após a reunião de terça-feira à noite porque ainda estava "pensando" na proposta e porque queria conversar pessoalmente com dirigentes do Corinthians, em especial o presidente Roberto de Andrade.
"Eu jamais iria falar que o Tite não pode conversar com a seleção. Mas quem teve a honra de vir conversar comigo foi ele, que é uma pessoa séria", afirmou o dirigente. "Ele (Tite) me informou ontem (terça-feira), antes da viagem. Não existe contraproposta em situação pessoal. Ele está saindo daqui porque é objetivo de qualquer treinador chegar ao topo da pirâmide", avaliou.
Tite já havia recusado conversas com intermediários da CBF em outras oportunidades. Um dos motivos era que Dunga estava empregado. Agora, após a demissão, Tite decidiu que era seu momento para assumir o Brasil. Era um sonho que o treinador achava que realizaria em 2014, logo após a Copa do Mundo. Mas, a CBF optou pelo retorno de Dunga, que havia sido o técnico no Mundial de 2010. A segunda "era" Dunga, porém, durou quase dois anos, acumulando insucessos e mostrando pouco futebol.
Com Tite, a seleção continua sob o comando de técnicos gaúchos desde 2006, com Dunga, Mano Menezes e Felipão. O Corinthians cede mais um técnico para a seleção, como aconteceu com Luxemburgo (1998), Parreira (2002) e Mano (2010).
O desafio de Tite é imenso e ele assume um Brasil em crise. A seleção ocupa a incômoda sexta posição nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, fora da classificação para o Mundial na Rússia. A próxima rodada das Eliminatórias será em setembro. Os jogos serão contra Equador (dia 2, fora) e Colômbia (dia 6, em casa, em Manaus).
Caberá ao agora treinador colocar o Brasil na zona de classificação da Copa e principalmente recuperar o futebol da seleção, cuja imagem está arranhada desde os 7 a 1 para Alemanha. Tite tentará dar um padrão tático ao time e acabar (ou ao menos diminuir) a dependência da equipe de Neymar.
A seu favor está o fato de ele ter apoio popular e considerado o melhor técnico do Brasil, graças aos títulos que ele acumulou nos últimos no Corinthians, como a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes da Fifa, em 2012.


