Todas as tribos do skate estão em Londrina
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sábado, 22 de outubro de 2005
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Londrina é ponto de convergência de skatistas de todos os cantos do Paraná e também de outros estados, já tendo revelado atletas para o mundo, sempre na modalidade street, o skate de rua. Daqui saíram profissionais que se destacaram em etapas dos circuitos brasileiro e mundial, como Francisco Martins Júnior, o ''Chico Louco'', Vinícius Patrial e Manoel Coimbra. Embora os dois primeiros ainda estejam em atividade e às vezes participem de exibições, os três exercem outras profissões porque não conseguem viver apenas do skate: Coimbra é designer, Chico Louco tem um cybercafé e Patrial trabalha em um restaurante.
Apesar de continuar sendo referência para o País na modalidade (a cidade conta com outros quatro atletas profissionais), Londrina ainda não dispõe de uma pista pública, reivindicação antiga dos praticantes. ''Essa briga é antiga. Faz uns dez anos que a prefeitura nos promete uma pista, mas até agora nada. Por isso estamos angariando recursos para tentar fazer alguma coisa por conta própria ou em parceria'', diz o presidente da Associação de Skate de Londrina (ASKL), Igor Mori.
A entidade, criada há 12 anos, promove desde 1992 um dos circuitos mais tradicionais de skate do Estado, que no domingo passado recebeu 90 competidores do Paraná e de São Paulo. As disputas aconteceram num espaço improvisado no Zerão, onde os skatistas pés-vermelhos treinam suas manobras em cima de caixotes, canos e rampas que imitam os obstáculos normais de rua como meios-fios, muros, corrimões e escadas.
Como não dispõe de uma pista pública, a ''galera'' utiliza, além do Zerão, outros espaços alternativos, como uma ''mini-ramp'' montada nos fundos da loja MT3, especializada em acessórios do ramo, na Rua Pio XII, centro da cidade. Ali, num espaço de aproximadamente 40 metros quadrados, skatistas de diferentes bairros da cidade se espremem para treinar acrobacias e ''fazer o diabo'' em cima da tábua com quatro rodinhas. O espaço, apesar de ser particular, é acessível, já que o proprietário cobra de aluguel apenas R$ 0,75 a hora.
''Aqui vem gente de todas as classes sociais, desde caras que param aí na frente de Audi até aqueles que vêm da periferia com o skate debaixo do braço'', conta Sidney Arakaki, atleta profissional que trabalha com promoção de eventos e é colaborador da ASKL.
O universo que ronda o skate é muito amplo, explica Arakaki. ''Envolve desde os que praticam a modalidade para apefeiçoar as manobras até aqueles que curtem a atividade como hobby ou terapia''. Arakaki lança mão de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a uma pesquisa de 2002, para mencionar que 6% dos domicílios brasileiros (ou 2,7 milhões de casas) possuem um skate. Dos adeptos, apenas 10 mil são competidores e destes, somente 272 são profissionais sete deles estão em Londrina.


