Palmas, 24 (Jornal do Tocantins/AE) - O técnico Paulo César Carpegiani pediu, e a diretoria do São Paulo contratou o atacante Sandro Hiroshi, tocantinense de Araguaina e um dos destaques do Rio Branco no último Campeonato Paulista. Mas a transação, que girou em torno de R$ 3,5 milhões, pode melar. A Federação Tocantinense de Futebol (FTF) enviou ontem um ofício à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e à Federação Paulista de Futebol (FPF), no qual comunica às duas entidades que o jogador foi inscrito na FPF, em 1994, de forma irregular. De acordo com a FTF, Sandro Hiroshi não poderia ter sido inscrito pelo Rio Branco, uma vez que o jogador, naquele ano, pertencia ao Tocantinópolis Esporte Clube (TEC) - time da cidade homônima, a 531 Km da capital Palmas -, como consta no registro, datado de 18 de março de 1994.
Os dirigentes do TEC tentaram chegar a um acordo com o Rio Branco no ano passado, mas não tiveram sucesso. Agora estão exigindo de 20% a 30% sobre o valor da transação com o São Paulo. Ou seja, em torno de 700 mil a 1 milhão de reais, no que seria, disparado, o maior negócio do futebol do Tocantins. "Caso já tivéssemos informado a CBF e a FPF da irreguralidade no registro do jogador, certamente o Rio Branco já teria sido punido", afirmou José Wilson Soares, superintendente da federação tocantinense. Segundo ele, essa era a melhor maneira de o TEC fazer valer seus direitos, mas a diretoria do TEC temia pelo futuro do jogador.
Entretanto, o clube tocantinense ainda crê em um possível acordo. O advogado do Tocantinópolis Vagner Escobar, que é de Porto Ferreira (SP), espera que a diretoria do Rio Branco ceda e aceite a proposta. Escobar poderá ter uma resposta nesta sexta-feira dos dirigentes do time paulista, como afirmou hoje o vice-presidente do TEC, Salim Milhomem. "Nós queremos resolver tudo amigavelmente", disse. Mas avisou: "se o acordo não for possível, o TEC vai brigar para reaver o passe do jogador na Justiça". Já o diretor de Comunicação do São Paulo, Édson Lapolla, disse ontem, por telefone, ao Jornal do Tocantins que não sabia dessa possível irregularidade e que o clube do Morumbi não irá ser prejudicado. "Se alguém errou, foram a federação paulista e o Rio Branco", disse.
Proposta - A história começou em 94, quando Salim Milhomem indicou Sandro e mais três jogadores, entre eles Anaílson (que ainda joga em Americana), para olheiros do Rio Branco. Sandro agradou e foi aprovado pelo clube que, sem pedir a liberação do passe do jogador ao Tocantinópolis, o registrou na Federação Paulista de Futebol (FPF) como primário (atleta que nunca teve vínculo com um clube profissional). De lá para cá, Sandro Hiroshi foi destaque em todas as categorias de base do Rio Branco, sendo campeão paulista dente-de-leite e juvenil. O jogador acabou sendo convocado para a Seleção Brasileira sub-17 com a qual conquistou o Sul-Americano no Paraguai.
Depois de ser um dos destaques do Campeonato Paulista, Sandro Hiroshi passou a ser cobiçado por vários times. Só no mês passado, diante da proposta milionária do clube do Morumbi e da iminente negociação, o Rio Branco procurou o TEC para um acordo, oferecendo R$ 30 mil pela liberação do craque. Os dirigentes tocantinenses rechaçaram a proposta.

mockup