Tô nem aí
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quarta-feira, 21 de junho de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Depois das 15 horas de hoje, o Brasil deve parar novamente. Portas comerciais baixando, veículos e pedestres tomando conta das ruas, todos apressados para pegar o lugar mais próximo e confortável em frente à televisão. É o dia de ver os decepcionantes ídolos brasileiros do momento contra os japoneses comandados por um eterno ídolo canarinho. Mas será que todos os brasileiros vão parar para assitir ao jogo entre o Brasil de Carlos Alberto Parreira contra o Japão de Zico?
A febre futebolística que toma conta do mundo a cada quatro anos, acreditem, não mexe com uma camada da população. Afinal, nem o esporte mais popular do planeta é unanimidade e nem mesmo a Copa do Mundo serve de combustível para animar os que não gostam do esporte a perder algumas horas em frente à tevê.
Enquanto a maioria esmagadora da população está apreensiva de olho na seleção e perdendo os últimos pedaços das unhas que ainda restam, outros preferem perder alguns quilinhos na academia. É o caso do estudante Thiago Leão Silveira Dourado, 18 anos. Enquanto o Brasil parava para ver ''quadrado mágico'' perder o encanto contra a Croácia, ele aproveitava a solidão da academia para se exercitar. ''Estava sozinho, pude ficar à vontade, com todos os equipamentos à disposição'', contou.
Para desgosto do pai, um professor de educação física e corintiano fanático, Dourado é do time dos que não gostam de futebol. ''Nem a Copa me chama a atenção. Tem gente que assiste a todos os jogos e até grava para assistir depois'', reprovou Dourado.
O pai até que tentou ajudá-lo. ''Ele já me colocou em escolinhas e tudo mais, mas não adiantou'', disse, lembrando que o tiro saiu pela culatra. ''Parei de gostar mesmo quando fui ver um jogo do Corinthians. É um programa de índios'', comparou Dourado, que prefere vôlei.
Ele não é o único da turma que não gosta de futebol. Por isso, ganha companhia dos amigos para fazer outra coisa enquanto os outros estão vendo algum jogo. ''Prefiro jogar baralho ou ficar no computador ao invés de assistir aos jogos'', comentou o estudante Lucas Kenji Kuriyama Schwab, 18, que tentou estudar enquanto Ronaldo se arrastava em campo contra os croatas. O coro foi engrossado por Ítalo Leonardo de Alencar Marton, 18, também estudante. ''Nunca tive interesse. Prefiro basquete''.
O auxiliar de pré-impressão Rodrigo Alexandre Faustino, 23, é outro que não gosta de futebol. Viu o primeiro jogo do Brasil na Copa, mas porque não tinha outra opção. ''Vi porque estava todo mundo aqui no trabalho assistindo, mas em casa não tenho essa preocupação'', afirmou. ''Domingo, fiquei dormindo enquanto o brasil jogava (contra a Austrália). Fico sabendo que o Brasil ganhou por causa dos estouros de rojões''.
Faustino, filho de um brasileiro que é torcedor fanático da Argentina, tem outras preferências. Gosta de ver um bom filme do que 22 homens correndo atrás de uma bola. ''Não perco meu tempo com isso, procuro fazer outras coisas. Esse campeonato de quarta-feira à noite (Copa Libertadores da América ou Brasileirão), que é sagrado na televisão e enche o saco, eu troco por um DVD. Agora está bom, porque está passando o festival de filmes nacionais''. apontou. ''Espero que o Brasil ganhe, mas se não ganhar, também não vai mudar nada na minha vida''.


