TJD pune jogadores e médico; clube aponta agressão judicial
O presidente do Paraná Clube, Dilso Rossi, classificou ontem como uma agressão judicial a decisão da Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva da CBFutebol. Na reunião de terça-feira ela puniu o clube com a perda de um ponto no Campeonato Brasileiro, suspendeu os jogadores Luciano Viana e Gil Baiano - suspeitos de doping - por 120 dias e eliminou do futebol o médico do clube, Jonathan Zaze.
Pela decisão do TJD, o Bragantino - que empatou em 1 a 1 com o Paraná na noite em que foram coletadas amostras de urina de Gil Baiano e Luciano Viana para o exame antidoping - vai ganhar dois pontos. O Paraná já conseguiu um efeito suspensivo para que os jogadores e o médico possam trabalhar normalmente e ainda vai recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça Desportiva. Um novo julgamento pode ser marcado dentro de 20 dias.
Para Dilso Rossi, o julgamento foi viciado. Não sabemos o porquê, mas os auditores já estavam pré-determinados a punir o Paraná. Eles nem levaram em conta a defesa feita por nosso advogado e nos puniram sem bases legais. Fomos agredidos judicialmente.
O advogado Valed Perry, que defendeu o clube, os jogadores e o médico, disse que foi um erro grosseiro a decisão do TJD. Perry disse que o TJD se baseou numa portaria 531 do Ministério da Educação e Cultura, de 1985, que, no parágrafo 1º, define que o clube tem que perder os pontos quando seus atletas jogarem comprovadamente dopados.
No entanto, segundo o advogado, em 87, uma nova portaria, de número 328, substituiu a 531 e acabou com a perda de pontos em caso de dopagem de jogadores. Eles apenaram o clube com base um artigo que nem existe mais, o que é totalmente absurdo.
O advogado Carlos Marinoni, um dos membros do TJD da Federação Paranaense de Futebol, explicou ontem que o CBDF determina que o clube seja o culpado por atos dos seus pressupostos, ou seja, jogadores, funcionários e até torcedores. No entanto, não está claro que doping seja um desses atos. É uma questão de interpretação.
O advogado Valed Perry acredita que no STJD vai ser fácil reverter as penas da perda de ponto e da eliminação do médico. Eles eliminaram o médico dizendo que ele é o responsável pelo doping. Mas como podem afirmar isso se não têm provas? Em relação aos jogadores, eles podem jogar porque já cumpriram os 29 dias de suspensão máxima que a Lei Pelé determina.Arquivo FolhaPena absurdaJohathan Zaze (D) com o jogador Tico no treino do Paraná: médico estuda ação de indenização contra a CBFEd Carlos Rocha





