O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) está de olho no tribunal paranaense. O motivo são as constantes prescrições de prazos que levam ao arquivamento de processos em que, na maioria dos casos, podem envolver a Federação Paranaense de Futebol (FPF). O procurador do STJD, Paulo Schmidt, quer saber porque estão acontecendo tantos engavetamentos. Ontem, ele protocolou na secretaria do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) um pedido de explicação.
''Existem indícios, vindos da própria imprensa, de que o TJD-PR não vem cumprindo prazos e as atribuições que lhe são cabíveis, principalmente no que diz respeito à independência'', disse o procurador.
Schmidt afirmou que se a conduta do órgão for realmente essa, os clubes ficarão impossibilitados de chegarem à entidade máxima do direito esportivo, no caso, o STJD. ''Vamos investigar se existe um obstáculo. Não é uma operação caça às bruxas, só queremos transparência. O que se tem noticiado é que não são respeitados os prazos e as queixas acabam arquivadas. Teve um caso que a denúncia ficou parada 86 dias'', afirmou Schmidt, se referindo ao processo em que o Engenheiro Beltrão acusa o Iguaçu de falsificar o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) para disputar a Divisão de Acesso.
O julgamento pela 3 Comissão do TJD foi na terça-feira. Em decisão unânime, a denúncia foi arquivada por prescrição de prazo. ''Reconhecida a prescrição pois a queixa foi proposta dia 18/9/06 e a denúncia formulada dia 7/2/06, ultrapassando os 60 dias'', escreveu o relator Adriano Soares Taques. O tribunal tinha 30 dias para oferecer a denúncia e fazer o julgamento, mas o caso ficou 86 dias parado na secretaria.
Outra bronca do procurador é com a relação mantida entre TJD e FPF. A entidade, por exemplo, divulgou a tabela definitiva do Paranaense por meio de uma antecipação de certidão do tribunal. ''São decisões tomadas em conjunto pela federação e pelo tribunal. Isso é inadmissível'', reprovou. O desfecho do caso pode ser até uma espécie de intervenção do STJD no tribunal estadual.
O ambiente dentro do tribunal também não é dos melhores. Existe uma divisão política entre os membros. ''É a administração caótica dos prazos'', disse ao portal FutebolPR o auditor Samuel Torquato, da ala dos descontentes.
Já o auditor Otacílio Sacerdote Filho defendeu o TJD. Para ele, não existe nada de errado nos prazos dos processos. ''Existem pessoas de dentro do TJD que estão tentando denegrir o próprio tribunal por problemas políticos, mas funciona tudo corretamente e a federação não tem nenhuma influência nas decisões'', defendeu Sacerdote.
Segundo o auditor, o recurso do Engenheiro Beltrão contra a virada de mesa proposta pela FPF para o Paranaense 2007 deve ser julgado antes da virada de ano. O caso deve ser definido no próximo dia 28.
Com medo de retaliações, o presidente do Beltrão, Luiz Heitor Linhares, apenas classificou como ''lamentável'' a situação.

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