Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O diretor do Departamento de Registros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Luís Gustavo, confirmou ontem que existem vários registros bloqueados de atletas que estão atuando no futebol brasileiro. ‘‘Esses registros estão espalhados por aqui e não se encontram em uma única pasta, como chegou a ser cogitado’’, declarou Luís Gustavo. Um dos nomes na lista de Carlos Eugênio Lopes (diretor jurídico da CBF) é o do goleiro Adriano Pitarelli, atualmente na reserva do Sport, do Recife; Alaor, do Botafogo-SP, também integra a relação.
Gustavo reuniu-se à tarde com Carlos Eugênio Lopes, e o secretário-geral, Marcos Antônio Teixeira, a quem apresentou a lista dos bloqueados. Anteontem, Lopes revelou que cerca de 40 jogadores do País estão com o passe bloqueado.
Ontem, o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva, Sérgio Zveiter, admitiu que deve pedir à CBF a relação desses atletas.
O TJD estabelece que o bloqueio de registro impede o atleta de atuar pelo seu clube. Por estar nesta situação, o atacante Sandro Hiroshi foi o responsável direto pela perda dos pontos do São Paulo em seus jogos com o Botafogo, do Rio, e o Internacional, de Porto Alegre.
Lopes, muito nervoso, não quis dar detalhes sobre a lista dos bloqueados e deixou claro que poderá apresentá-la ao TJD desde que seja solicitado. Estranhamente, em meio à crise do futebol brasileiro, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, viajou à Espanha, onde acompanhará o amistoso entre a Seleção Brasileira e a espanhola.
Ainda ontem, o presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura, enviou ofício à CBF, exigindo da entidade a lista dos 40 atletas bloqueados. No documento, Onaireves faz críticas severas a Lopes.
Em uma demonstração de que a bagunça na CBF é estensiva aos tribunais de Justiça Desportiva, o presidente da primeira Comissão Disciplinar do TJD, Paulo Rodrigues, revogou ontem a decisão tomada na véspera de conceder ao Internacional apenas um ponto pela vitória no tapetão sobre o São Paulo, ainda por causa da escalação do Hiroshi. Ele reconheceu um erro e deu mais um ponto ao clube gaúcho.
No primeiro jugalmento a comissão baseara-se em uma resolução de diretoria da CBF, datada de janeiro de 97, na qual o clube que deu motivo à impugnação de uma partida teria de perder os pontos conquistados e transferi-los ao adversário; dessa forma o São Paulo perderia o ponto, como aconteceu, e o Internacional obteria apenas dois pontos, o do empate e o transferido do São Paulo.
Só que em outra resolução de diretoria, de junho de 97, ficou decidido que o clube infrator perderia os pontos do jogo e o adversário ganharia os pontos equivalentes a uma vitória.
O Botafogo-RJ aguadaria o resultado da rodada de ontem à noite para decidir hoje se vai ou não pedir a impugnação do jogo com o Palmeiras, por causa do suposto bloqueio no regisitro do atacante Pena. O clube carioca entrou com pedido na CBF para verificar a ficha do jogador, que só será liberada hoje.
Recurso adiado – A dificuldade em obter um documento na Federação Paulista de Futebol (FPF) é a explicação oficial do São Paulo para ter adiado o início de sua ação na Justiça comum, que tenta reaver os pontos perdidos no TJD para o Botafogo-RJ, de ontem para hoje.
‘‘Estávamos preparados para entrar com a ação hoje (ontem), mas está faltando um documento cujo teor eu não posso revelar’’, afirmou o advogado Marcílio Krieger, contratado para comandar o processo legal. Segundo Krieger, a ação deve ser protocolada na Justiça hoje – ou na Vara Federal de São Paulo ou na Estadual do Rio.
Já está definido que será o Sindbol (Sindicato das Associações de Futebol Profissional do Estado de São Paulo) que irá encabeçar a ação legal na Justiça comum.

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