O primeiro dia de depoimentos no Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paranaense de Futebol sobre uma suposta tentativa de suborno a árbitro na Série A-2 do Paraná revelou alguns desencontros. O principal deles refere-se às declarações do árbitro Sérgio Roberto Faria de Cristo, que fez a denúncia, e ao ex-árbitro Valdir Festugatto, um dos citados no relatório de Sérgio Roberto.
O árbitro divulgou no último domingo que no dia 24 de abril, véspera da partida Londrina x Nacional, válida pela Série A-2, uma pessoa que teria se identificado como filho do empresário Gilberto Maggi (que seria Marcos Maggi), ligou no seu celular oferecendo dinheiro para que facilitasse a partida para o Londrina, que acabou vencendo por 3 a 0. A oferta de dinheiro teria sido feita a mando do vice-presidente do Londrina, Célio Guergoletto.
Segundo Sérgio Roberto, poucos minutos depois de ter recusado a oferta e ter xingado o filho de Maggi, Valdir Festugatto lhe telefonou dizendo que não precisava ter sido mal educado com o seu amigo (no caso o Marcos Maggi) e que deveria ter dito apenas sim ou não para a oferta.
Na sua versão, Festugatto confirmou que ligou para Sérgio no dia 24, mas para falar sobre uma oferta que Sérgio tinha feito para que apitasse algumas partidas de ‘‘pelada’’ no Paraná Clube. ‘‘Aí ele me falou que o Maggi tinha ligado oferecendo dinheiro. Disse também que tinha mandado o Maggi enfiar o dinheiro naquele lugar. Aí eu brinquei que não precisava ter falado assim e a conversa ficou nisso’’.
Quem também esteve no tribunal foi Eloir Prohmann, o ‘‘Mala’’. O depoimento dele não pôde ser acompanhado pela imprensa. No entanto, ele deu declarações antes dizendo que esteve no vestiário apenas para cumprimentar o árbitro e não para dizer que iria gastar com meninas o dinheiro que Sérgio Roberto não quis receber.
O ‘‘Mala’’ disse que foi a Londrina por conta própria e que ficou em hotel quatro estrelas, gastando cerca de R$ 130,00, entre passagens e hospedagem. Sua mãe, Terezinha dos Santos, afirmou que ele não tem dinheiro e que a família vive da ajuda de amigos para não passar fome.
Hoje está marcado o depoimento de Célio Guergoletto e do auxiliar da partida Aparecido Donizette Santana. Depois disso, o presidente do inquérito, Oto Sponholz Júnior, decidirá se convoca ou não o filho de Gilberto Maggi, que não é obrigado a comparecer por não ter nenhuma relação com o futebol.

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