Curitiba - O relatório final do segundo inquérito do ‘‘caso Bruxo’’, que investiga suposta corrupção no futebol paranaense, trouxe quatro indiciados e informações comprometedoras à Federação Paranaense de Futebol (FPF). Os citados foram Onaireves Moura, presidente da FPF; Fernando Luís Homann, ex-presidente da Comissão de Arbitragem; José Carlos Marcondes, que também comandou a Comissão de Arbitragem; e Nelson Lehmkuhl, ex-presidente da Associação Paranaense de Árbitros de Futebol (Apaf) e atual diretor da escola de árbitros. A denúncia agora será apreciada pela Procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Paraná e, caso seja acatada, Moura, Homann, Marcondes e Lehmkuhl irão a julgamento.
  O segundo inquérito do ‘‘caso Bruxo’’ foi aberto para averiguar denúncias, principalmente do ex-árbitro José Carlos de Oliveira, o Cidão, sobre ‘‘compra’’ de resultados na Série Prata e na Série Ouro do Paranaense, inclusive no Atletiba da final do Estadual do ano passado. Durante os depoimentos, o auditor que preside o processo, Paulo César Gradella Filho, teve acesso a uma fita cassete com gravação de uma conversa telefônica entre Homann e o ex-árbitro e atual presidente do Sindicato dos Árbitros do Paraná, Amoreti Carlos da Cruz.
  O teor desses diálogos traz revelações bombásticas. Homann confirma a negociação de escalas de jogos da Série Prata e também da Série Ouro, como no Atletiba final de 2005 e em uma das partidas entre Paraná Clube e Londrina, em 1992.
  Em outro momento da conversa, Amoreti e Homann falam sobre negociação e patrocínio do ex-presidente da Comissão de Arbitragem, José Carlos Marcondes, ao Prudentópolis, como já haviam relatado denúncias anteriores, ainda no primeiro inquérito do ‘‘caso Bruxo’’.
  O presidente da FPF, Onaireves Moura, segundo o diálogo entre os dois ex-árbitros, estaria ciente sobre a negociação de escalas de arbitragem e resultados. E, mais grave, seria o ‘‘dono’’ de vários jogadores do Paranavaí, que teria ‘‘proteção’’ nas competições devido a isso.
  Em outro fragmento da gravação, Amoreti e Homann confirmam denúncia do ex-tesoureiro da Associação Paranaense dos Árbitros de Futebol (Apaf), Airton Nardelli. Em entrevista à Folha, recentemente, Nardelli havia dito que a taxas de arbitragem tinham ‘‘sumido’’ e que árbitros foram forçados a assinar uma prestação de contas supostamente irregular da Apaf.
  Amoreti e Homann falam sobre um pagamento de R$ 200 mil, provenientes das taxas de arbitragem, e também a respeito de um suborno. Moura teria dado ao ex-presidente da Apaf, Nelson Lehmkuhl, o atual cargo de diretor da escola de árbitros para que Lemhkuhl não trouxesse os esquemas à tona.
  O relatório final foi encaminhado à Procuradoria, que agora deve avaliar se acata ou não a denúncia e leva os indiciados a julgamento. Ainda não há pena prevista no caso de condenação porque cada um responderia por um ato ilícito diferente.

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