TJD ignora súmula para não punir o Vasco
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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Silvio Barsetti 
Rio, 06 (AE) - A Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) não levou em consideração a súmula de Vasco 1 x 1 Paraná, no dia 19 de setembro, em São Januário, para julgar, no fim da noite de terça-feira, representação do clube paranaense que pleiteava os pontos da partida. Esta foi interrompida pelo árbitro Paulo César de Oliveira, sob a alegação de falta de garantias, pouco depois de o vice-presidente de Futebol vascaíno, Eurico Miranda, ter invadido o campo, acompanhado por seguranças do clube.
Para o presidente da comissão, Marco Aurélio Pachá, "a súmula não retratou o que as imagens da tevê mostraram". Ele deu o voto decisivo que manteve o resultado do jogo e não puniu o Vasco. Segundo ele, Paulo César deveria ter consultado a chefia do policiamento no estádio, antes de encerrar a partida. "Quem interrompeu o jogo foi o árbitro", disse Pachá.
O artigo 299 do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF) é claro ao determinar a perda dos pontos para o clube que impedir o prosseguimento ou dar causa à suspensão de partida do campeonato. Outro auditor da comissão, Wanderley Rebello, também entendeu que o Vasco não deveria ser punido com a perda de ponto. Ele votou a favor de uma multa de R$ 120,00 para o clube, aprovada pelos auditores.
O que mais chamou a atenção dos que assistiam à sessão, no auditório da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi a ênfase dada por Pachá ao anunciar a "suspensão" de 40 dias a Eurico Miranda. Pelas normas que regulam o Campeonato Brasileiro
dirigentes de clubes não podem nem sequer ficar no banco de reservas. Portanto, a punição a Eurico não faz sentido, porque, na prática, ela não existe. O próprio advogado do Vasco, João Carlos Ferreira, comentou que o mais adequado, em casos idênticos, seria a aplicação de uma multa ao dirigente indiciado.
O procurador do TJD, Herman Seixal, disse que o tribunal não tem poder para impedir que dirigentes punidos exerçam suas atribuições nos clubes. "Isso também não faria sentido", observou. "É como não permitir a um jogador expulso que treine durante a semana." As determinações da comissão do TJD foram criticadas por advogados e até por um dirigente da CBF, que pediu sigilo. "Tudo isso é lamentável e contribui para denegrir a imagem do futebol brasileiro", declarou o advogado do Paraná, Mílton Risso.
Também causou estranheza na sessão o fato de o teipe solicitado de Corinthians 1 x 4 Palmeiras não exibir a imagem em que Rincón cospe em Paulo Nunes. Por causa disso, a denúncia foi retirada da pauta. Hoje, a assessoria do presidente do TJD, Sérgio Zveiter, informou que ele não se pronunciaria sobre as decisões da Comissão Disciplinar.
Zveiter deve ir amanhã à CBF para, finalmente, analisar o processo que pode culminar com a interdição do Pacaembu e sobre as ofensas do presidente da Comissão de árbitros da CBF, Armando Marques dirigidas ao árbitro Paulo César de Oliveira.


