TJD condena apenas quatro e absolve nove
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de outubro de 2005
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quando o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Paraná anunciou na manhã de ontem os condenados no julgamento sobre manipulação de resultados na arbitragem do futebol paranaense, o resultado não foi o esperado pela maioria dos presentes na sala de audiência, especialmente para o auditor Octacílio Sacerdote Filho. Dos 13 réus indiciados, apenas quatro foram condenados, com pena máxima, a eliminação de quaisquer atividades profissionais ligadas ao esporte.
O julgamento durou cerca de 17 horas e todos os réus negaram participação na ''compra e venda'' de resultados da Série Prata do Campeonato Paranaense. Os ânimos esquentaram um pouco quando o supervisor do Prudentópolis, Nelson Boreiko, acusou o diretor-administrativo da Federação Paranaense de Futebol (FPF), José Johelson Pissaia, de oferecer uma vaga na Série Ouro por R$ 60 mil. O intermediário da negociação seria o árbitro Marcos Tadeu da Silva Mafra, durante um encontro em um shopping center de Curitiba.
Após ouvir os réus, os oito auditores do Pleno do TJD, responsáveis pela votação, também relacionaram os depoimentos das 13 testemunhas no caso. Isso levou o julgamento madrugada adentro e somente ontem pela manhã o resultado foi anunciado.
Foram condenados, quase por unanimidade, o árbitro cassado pela FPF, José Francisco de Oliveira, o Cidão, réu confesso que diz ter participado de manipulação de resultados; o diretor do Operário Ferroviário, Silvio Gubert, flagrado explicando como funcionava o esquema, pelas câmeras da emissora ESPN Brasil; o gerente de futebol do Foz do Iguaçu, Genezio Camargo, que admitiu ter combinado pagamento sobre ''compra de resultados'' com Cidão; e o ex-dirigente do Marechal Cândido Rondon, Gilson César Pacheco, que afirmou ter pago R$ 1.750,00 ao árbitro Sandro César da Rocha, referente ao ''acerto'' para não prejudicar sua equipe.
A absolvição do restante, devido ao empate de quatro votos a quatro, indignou Sacerdote Filho, responsável pelo processo na fase do inquérito. ''Tenho certeza que houve má fé e sugiro investigação sobre esses quatro auditores que votaram contra. Eles foram coagidos'', desabafou ontem à tarde, por telefone.
Sacedote Filho contesta a justificativa de falta de provas para a absolvição dos outros nove réus julgados pelo TJD. ''Existem indícios e provas e elas estão aí. Por exemplo, se os auditores condenam o dirigente do Marechal (Gilson César Pacheco) porque ele confessou que deu dinheiro ao árbitro Sandro César da Rocha, porque o Sandro não é também condenado? Não existe corruptor sem o corrupto'', salientou.
O auditor adiantou que a Procuradoria do TJD-PR já encaminhou para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) um recurso para rever ou anular a decisão do julgamento. ''Com provas que condenam a maioria'', completou Sacerdote Filho. O processo também vai para a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) para que os envolvidos no caso também respondam pelos supostos crimes na Justiça Comum, com abertura dos sigilos telefônico e bancário.


