TJD admite que punição ao Paraná foi equivocada
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quinta-feira, 08 de outubro de 1998
Ed Carlos Rocha 
O Paraná Clube não vai mais perder o ponto do empate contra o Bragantino, no dia 19 de agosto, conforme havia decidido na última terça-feira a Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A punição foi dada pelo suposto envolvimento do clube no doping dos jogadores Luciano Viana e Gil Baiano.
Ontem, o presidente da Comissão Disciplinar, Marco Aurélio Pachá, reconheceu que errou na punição. Segundo ele, houve uma falha da secretaria do TJD, que lhe colocou nas mãos uma cópia borrada da portaria do MEC que tratava da pena.
O artigo 35 da Portaria 531 do Ministério da Educação e Cultura, de 1985, trata da perda de parte da renda e não da perda de pontos, como enganadamente havíamos entendido, explicou Pachá.
Em relação à eliminação do médico Jonathan Zaze e a suspensão de 120 dias dos jogadores, Pachá afirmou que não tem volta e que o clube terá que brigar no Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). De acordo com ele, o médico foi eliminado não porque seria reincidente, mas sim porque a portaria 50 do MEC determina que quem administra remédios que resultam em dopagem deve ser eliminado do futebol.
Ontem, negando mais uma vez que tenha administrado qualquer remédio que possa resultar em doping, o médico esclareceu mais um ponto polêmico que poderia favorecer o Paraná e que não foi levado em conta no julgamento.
A regulamentação de exames antidoping, prevê que o material coletado seja transportado ao laboratório via área e preferencialmente no dia da coleta. Além disso, o resultado tem que ser divulgado no máximo quatro dias após o exame. Segundo Zaze, o material foi coletado no dia 19 de agosto, transportado no dia 20, via terrestre, e o resultado só saiu no dia 28.
O presidente da Comissão Antidoping da Federação Paranaense de Futebol, Dilermando Brito Filho, explicou que, nessas condições, o exame teria que ser impugnado. Nesse transporte inadequado e na demora do resultado, os aminoácidos da urina se decompõem e podem gerar produtos semelhantes aos estimulantes, o que, no exame, acusaria doping.
Essa será uma das razões que o advogado Valed Perry vai levar em conta para apresentar, até a próxima terça-feira, as razões do recurso no Supremo Tribunal de Justiça Desportiva. Além delas, alegará que em um exame foi encontrado só fenproporex e no outro também anfetamina; que pode ter havido contaminação na farmácia de manipulação; que pode ter havido sabotagem e que o tribunal não provou que o médico deu remédios que continham estimulantes aos jogadores.
O jogador Ageu, que havia sido internado com traumatismo craniano na segunda-feira, recebeu alta médica ontem. Ele está passando bem e volta aos treinamentos na próxima semana.


