TJD acata denúncia dos envolvidos
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terça-feira, 30 de junho de 1998
Marcos Freitas Especial para a Folha 
O presidente do Tribunal de Justiça Desportiva, Ítalo Tanaka Júnior, apresentou ontem os nomes dos denunciados no caso do suborno no Campeonato Paranaense. O ex-vice presidente do Coritiba, João Carlos Vialle, o ex-auxiliar técnico do Coritiba Waldonedo Xavier, o ex-goleiro do Iraty, Roberto França, e o ex-preparador de goleiros do Iraty, Adilson Cocconi, vão ser julgados na próxima quinta-feira e podem ser suspensos ou até mesmo excluídos do futebol.
Tanaka também anunciou quais os envolvidos que tiveram seus nomes rejeitados do processo. Ele rejeitou a denúncia contra o presidente do Iraty, Sergio Malucelli, que era acusado de ter usurpado as funções do TJD e de ter levado a denúncia em primeiro lugar à imprensa e ainda por ter enviado a fita original para ser periciada na Unicamp. Segundo o presidente do TJD, o que Malucelli fez não caracteriza nenhuma infração e ele teve seu nome excluído do processo.
O goleiro Roberto França, teve seu nome acatado pelo TJD e também pode ser punido, apesar de ter sido o ator da denúncia. O Tribunal entendeu que o preparador de goleiros do Iraty, Adilson Cocconi, em seu depoimento, disse ao TJD que quem pediu para passar o telefone para o ex-auxiliar técnico do Coritiba, Waldonedo Xavier, e para o ex-vice de futebol do Coritiba, João Carlos Vialle foi o próprio Roberto e, segundo Tanaka, não há como excluí-lo do processo.
O presidente do TJD, concordou com a exclusão do Coritiba do processo e explicou. Em primeiro lugar, segundo os estatutos do Coritiba, nem Waldonedo, nem Vialle tem poder legal para representar o clube. Em segundo lugar, não houve reunião prévia dos membros do Coritiba, e o TJD entendeu que foi um ato isolado. Em terceiro lugar, a vinculação do goleiro Roberto não foi com o Coritiba e sim com seus dirigentes. Em quarto lugar, a própria prova atestou que a conversa aconteceu entre Nedo, Vialle e o goleiro e que inclusive o dinheiro não sairia do Coritiba.
Tanaka destacou ainda que não existe prova de que o Coritiba tenha sido beneficiado, uma vez que o goleiro Ricardo Pinto disse, em depoimento ao TJD, que ninguém fez corpo mole. O próprio presidente do Iraty, Sergio Malucelli, disse que ninguém foi punido administrativamente.
O presidente do TJD, recebeu as denúncias contra o ex-vice de futebol do Coritiba, João Carlos Vialle, que deve ser julgado por ter participado ativamente de toda a trama apurada no processo e ainda tendo reconhecido a própria voz durante as conversas. Vialle deve ser julgado pelos artigos 284, 285 e 289 do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol. Pelos mesmos motivos e artigos, o ex-auxiliar técnico do Coritiba, Waldonedo Xavier também vai a julgamento.
O preparador de goleiros do Iraty, Adilson Cocconi, também teve seu nome acatado no processo. Ele vai ser julgado pelos mesmos artigos que estão enquadrados os dirigentes do Coritiba. O técnico do Iraty, Ernesto Paulo, o jogador Caio Júnior e o diretor de futebol do Iraty, Wilson Morishita, vão ser julgados por não terem comparecido ao TJD para prestar depoimento no tempo determinado.
Amanhã, o presidente do TJD deve sortear uma das duas comissões existentes na Federação Paranaense de Futebol, para julgar o caso. Todos os acusados têm até a próxima sexta-feira para apresentar formalmente as defesas. Segundo Tanaka o julgamento dos acusados deve acontecer na quinta-feira da semana que vem.


