São Paulo - O sofrimento perdurou por boa parte da década de 70, com direito a dois ''quase'': o time perdeu as finais do Paulista de 1974, para o arquirrival Palmeiras, e do Brasileiro de 1976, para o Internacional. Já era clássica a gozação dos rivais sobre a falta de títulos. Diversas paredes de botecos eram preenchidas com cartazes provocativos: ''Fiado, só quando o Corinthians for campeão''.
E o tão sonhado dia chegou depois de 22 anos, oito meses e sete dias. Na noite de 13 de outubro de 1977, por volta das 22 horas, o meia Basílio aproveitou um rebote da zaga da Ponte Preta e, de bate-pronto, estufou a rede do gol do Morumbi. O apito final do árbitro Dulcídio Wanderley Boschilla deu início a uma explosão festiva sem precedentes na capital paulista e em todo o Estado. Torcedores cruzavam o gramado de joelhos, enquanto outros arrancavam as traves ou até mesmo comiam grama. O folclórico presidente Vicente Matheus teve de deixar o estádio disfarçado de mulher e com um pé descalço. O ''Time do Povo'' voltava a fazer o corintiano sorrir.
Democracia
O gigante acordou e mergulhou logo em seguida numa experiência única e vanguardista. Em 1981, em plena ditadura militar, os jogadores e a diretoria, presidida por Waldemar Pires, articularam um movimento que pregava maior participação dos atletas nas decisões referente ao futebol. Foi abolida a concentração para os solteiros, e até mesmo a agenda de treinos e o esquema tático do time eram escolhidos através da maioria de votos. Comandada por craques como Sócrates, Casagrande e Wladimir, a revolução democrática foi coroada com um bicampeonato paulista sobre o São Paulo. Esses mesmo jogadores extrapolaram as quatro linhas e empenharam-se também na ''Diretas Já'', campanha pelo voto direto para a presidência da República. O período, conhecido como ''Democracia Corintiana'', firmou-se como o mais organizado movimento de conscientização política por meio do esporte. (A.E.)

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