Havia sinais de prosperidade por todos os lados. Londrina era mesmo uma cidade campeã. A Avenida Paraná ainda não era Calçadão. Era uma via comercial de movimentado trânsito em mão-dupla. E foi nela que a festa rolou.
O centro que nunca parava em dias de semana, parou. A fervilhante Capital do Café acabava de ganhar mais um motivo para esnobar a outra capital. Ainda mais que pela primeira vez uma delegação alviceleste havia embarcado em um avião. Quando ele pousou, no final da manhã, pôs fim à ansiedade do prefeito Míltom Menezes, que aguardava os heróis em seu gabinete.
Já no início da tarde inesquecível, um ônibus cheio de rapazes e senhores agachados no teto eram seguidos por uma centena de carros, a maioria jipes. As buzinas ecoavam sem incomodar nenhum ouvido.
Nos poucos edifícios altos, havia manifestações de alegria e orgulho. Era só o começo de uma das maiores comemorações da história da cidade. Depois viriam jantares, homenagens em repartições e celebrações particulares de atletas e dirigentes. O sentimento que varreu Londrina naquela tarde dos anos dourados despertou definitivamente uma ambição que jamais desapareceu: ser uma cidade capaz de acumular glórias no esporte.
O momento de triunfo está completando quatro décadas na terça-feira. Mas é amanhã, no feriado de 21 de abril, que se comemora a primeira parte da festa, ocorrida no estádio do Coritiba, em um domingo de outono. Não houve como contestar aquela vitória do Londrina Futebol e Regatas um clube de apenas sete anos de história na ocasião sobre o todo-poderoso Coritiba já tradicional com seus 54 anos de vida.
A goleada por 4 a 2 em Londrina, no primeiro jogo, havia se repetido fora de casa. Haveria mais um jogo 4 a 1 sobre a Cambaraense para finalizar a campanha que começou em maio de 1962. Mas ninguém duvida que aquela vitória teve o mesmo sabor de um triunfo em um finalíssima.
O centroavante Gauchinho, o maior artilheiro da história do clube, deixou sua marca aos 40 minutos daquele jogo no Alto da Glória, seu 18º no campeonato. ''Me lançaram, estava dentro da área, driblei o zagueiro e chutei'', descreve com orgulho o funcionário público aposentado de 65 anos.
O protagonista daquele campeonato, motivado pelo bicampeonato mundial da seleção no Chile, lembra que a partir de uma insólita sequência vitorioso de quatro jogos sobre o Apucarana, na decisão da Chave do Norte Novo, o elenco começou a acreditar naquele título, o único conquistado pelo Londrina sobre um time da capital (já como LEC e como Tubarão, os londrinenses venceram o Grêmio Maringá, em 1981, e o União Bandeirante, em 1992).
''O Apucarana era um timaço, foi um duelo muito difícil, saímos muito confiantes para o triangular final'', lembra Gauchinho, na verdade um catarinense de Capinzal cujo nome de registro é Antero Bombassaro. Para ele, aquele período foi o melhor momento de sua vida e coincidiu também com um grande momento do futebol brasileiro. ''Aquela época foi muito especial, com grandes times no Paraná, onde havia equilíbrio entre os clubes do interior e da capital. No Brasil, nem é preciso falar. Basta lembrar da seleção e do Santos, de Pelé''.

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