Protagonista de uma ascensão meteórica no futebol, o londrinense Rafinha, de 20 anos, conseguiu algo que outros três pés vermelhos que se transferiram recentemente para clubes europeus famosos não conseguiram: firmar-se como titular em um time de primeira grandeza do Velho Continente, o Shalke 04, da Alemanha.
O pentacampeão Kléberson, por exemplo, hoje com 26 anos, foi vendido como estrela ao Machester United, da Inglaterra, após brilhar na Copa de 2002, mas ao chegar no clube inglês sofreu com seguidas contusões e não conseguiu garantir seu espaço no time titular. Acabou esquecido no clube, teve seu contrato rescindido e para voltar a ter uma sequência de partidas acabou indo para o futebol turco, onde hoje defende o Besiktas, terceiro time da capital Istambul, menos conhecido que o Fenerbahce e o Galatasaray.
Jádson e Fernandinho, ambos de 20 anos e formados no PSTC, em Londrina, se transferiram este ano do Atlético-PR para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Jádson foi no começo do ano e Fernandinho em julho. Mesmo contratados por uma grande quantia (Jádson por cerca de US$ 7 milhões e Fernandinho por US$ 8 milhões), ambos ainda não têm espaço no time titular, por serem novos na equipe. Entram somente em algumas partidas. Por esse motivo, Jádson estaria descontente com o clube ucraniano e planeja sua volta ao Brasil nos próximos dias pode definir sua transferência para o Santos, por empréstimo.
O caso de Rafinha, ex-Coritiba, é diferente. Ele foi vendido em agosto para o Shalke 04, time que disputa a Liga dos Campeões e a Copa da Uefa, por 5 milhões de euros. Ele chegou quando estava transcorrendo a terceira rodada do Campeonato Alemão (o Shalke é o atual 4º colocado). Na rodada seguinte, já foi relacionado para jogar, ganhou a confiança do técnico alemão Ralf Ranigck e logo conquistou a posição de titular na lateral-direita.
''Tive sorte porque o jogador que estava na posição, o turco Altin Top, é volante e estava atuando improvisado'', relatou. Rafinha tem consciência de que é uma exceção à regra. ''Na Europa, é raro um atleta recém-chegado ou muito novo conseguir vaga como titular. Eu mesmo, sou o mais novo do time. Os outros têm em média 27 a 28 anos'', comentou o jogador, que está passando as férias com a família em Londrina.
Rafinha chegou à cidade na última segunda-feira, participou do Jogo das Estrelas do PSTC, na sexta-feira à noite, e ontem recebeu a reportagem da Folha na casa da mãe, na Zona Norte. O atleta iniciou no futsal (jogou dez anos no Grêmio) e aos 12 começou a jogar futebol no PSTC. Dos 15 aos 16 treinou com os juvenis do Londrina e aos 17 foi vendido ao Coritiba, em 2002. Antes de se profissionalizar pelo Coxa, brilhou com a seleção brasileira Sub-20 e este ano disputou o Mundial da Holanda, em julho. Mal voltou da Europa e já estava vendido para o Shalke.

mockup