Tite aprende com eliminação na Copa e adapta seleção a rival
Técnico mudou esquema para segurar Messi e investir em contra-ataques e saiu classificado para a final
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quinta-feira, 04 de julho de 2019
Técnico mudou esquema para segurar Messi e investir em contra-ataques e saiu classificado para a final
Marcos Guedes/Folhapress 

Belo Horizonte - O Brasil x Bélgica da última Copa do Mundo teve um treinador que procurou manter o padrão tático de sua equipe e um que reorganizou suas peças para surpreender o adversário desde o início. Quando o primeiro percebeu o que tinha acontecido, o segundo já celebrava uma vantagem que o colocaria nas semifinais.
Tite aprendeu com aquela derrota por 2 a 1 e com a sacada do técnico da Bélgica, Roberto Martínez. Um ano depois, deixou um pouco de lado a diretriz que vinha seguindo na seleção. Em vez de se apegar a um modelo sem maiores variáveis de acordo com o adversário, ajustou seu time para encarar a Argentina de Messi e avançou à final da Copa América com um triunfo por 2 a 0.
O amplo domínio da posse de bola nas partidas anteriores deu lugar a um jogo de muitos contra-ataques. De acordo com estatísticas da comissão técnica da seleção, a posse ficou em 50% a 50% no clássico da última terça-feira (2), no Mineirão. Claro, porque a Argentina era um rival mais qualificado do que os enfrentados antes, mas também por uma estratégia. “Adaptação às características que o jogo te impõe”, resumiu Tite.
Houve dois principais ajustes promovidos pelo técnico. Um deles foi a mudança no posicionamento de alguns jogadores para que Messi ficasse encaixotado no meio-campo. O outro foi o uso dos pontas como armas de contragolpe, não propriamente de construção de jogadas nos moldes habituais da equipe.
Para frear o “extraterrestre”, como se referiu ao craque argentino, o técnico mexeu até na posição do próprio centroavante. Roberto Firmino passou a marcar recuado, mais perto de Philippe Coutinho, na tentativa de espremer o camisa 10 rival entre os volantes. Como Messi gosta de flutuar entre o centro e o lado direito, o lateral Alex Sandro também ganhou a incumbência de ajudar a apertá-lo.
“O centro do campo, com Firmino, Coutinho, Arthur, Casemiro, era essencial para não deixar o extraterrestre jogar”, disse o treinador, antes de explicar por que Alex Sandro se segurou na defesa e o Brasil atacou pouco pelo lado esquerdo - o direito do adversário.
“Se vocês olharem o mapa de calor do Messi, onde ele transita, vão ver que é sempre entre meio e ponta direita. E a gente teve ali um jogador que dava consistência para diminuir as ações dele”, disse o técnico.
“Tem que saber jogar construindo, tem que saber jogar em pressão média e tem que saber jogar em contra-ataque. Nessa partida, a exposição do adversário pelo tipo de marcação que fazia proporcionava muitas jogadas de velocidade. O segundo gol foi uma jogada de velocidade, de imposição, do Gabriel Jesus”, celebrou o técnico.


