São Paulo, 25 (AE) - Dois adolescentes baleados, vagões do metrô depredados e várias pessoas feridas levemente. Os tumultos provocados pelas torcidas, principalmente do São Paulo, começaram antes mesmo do início do jogo que definiu o campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Bruno Favaretto e Alan Rodrigues, ambos de 17 anos e torcedores do São Paulo, foram baleados acidentalmente pelo 3º sargento da Polícia Militar Júlio Seno Júnior, de 27 anos, na esquina das ruas Ipanema e do Hipódromo, na Mooca. O disparo partiu de uma metralhadora Beretta, calibre 9mm, e acertou Bruno nas costas. O tiro atravessou o abdome e atingiu Alan de raspão no pescoço. Os dois foram socorridos no Hospital Tatuapé e passam bem.
Por volta das 13h30, cerca de 40 torcedores são-paulinos entraram na Estação Bresser, na Zona Leste, armados de paus, pedras e bombas caseiras. Na plataforma, eles encontraram um grupo de santistas e as duas facções começaram a brigar.
Um trem que havia parado para desembarcar passageiros foi depredado. Houve corre-corre, mas ninguém ficou ferido. A composição teve os vidros quebrados, os extintores de incêndio arrancados e acabou sendo recolhida para o pátio da Estação Itaquera. O tumulto durou cerca de 10 minutos.
"Bósnia" - Segundo o despachante Wagner Sugamele, que presenciou o quebra-quebra, a estação parecia uma praça de guerra. "Aquilo era a Bósnia. E onde está a Polícia numa hora dessas?"
A Polícia Militar também foi acionada para conter um tumulto envolvendo torcedores na Estação Anhangabau. Pouco antes das 15 horas, vários torcedores entraram em confronto com funcionários do metropolitano armados de barras de ferro e pedaços de pau.
Na Estação Barra Funda, ponto de parada para muitos torcedores que se dirigiram ao Pacaembu, a informação de funcionários é de que não houve problemas porque havia muitos policiais e seguranças. Um funcionário, que não quis ter o nome revelado, disse que mais de 500 torcedores do São Paulo passaram pela estação.
Por volta das 13h30 cerca de 40 torcedores do São Paulo foram acusados de depredar portas de estabelecimentos comerciais na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros. Uma das portas da loja Ponto Frio foi arrombada. Depois do término da partida, mais de mil são-paulinos tentaram passar pela catracas da Estação Barra Funda e entraram em conflito com seguranças do metrô e da empresa Suporte, responsável pela segurança da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Reclamações - Segundo o Cabo Feitosa, da Polícia Militar
o confronto durou quase uma hora, deixando feridos, sem gravidade, dois seguranças da empresa e um torcedor. No quebra-quebra, bilheterias foram danificadas e três vagões da CPTM foram parcialmente destruídos. Houve disparos dentro da estação, mas nenhum atingiu torcedores ou seguranças.
Os funcionários da empresa de segurança reclamaram da falta de apoio efetivo da Polícia Militar. Segundo um deles, que não quis se identificar, policiais da Rocam chegaram ao local no momento da confusão, mas nada fizeram. "Eles viraram as costas e foram embora", acusa. No início da confusão, apenas 30 seguranças protegiam as catracas. "Foi uma covardia", diz Ademar Martins, um dos funcionários feridos. Nenhum torcedor foi detido na confusão.

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