Tirone fala em equilibrar finanças
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Daniel Akstein Batista <br>Agência Estado 
São Paulo - O trabalho no Palmeiras já começou para Arnaldo Tirone. Eleito presidente na noite de quarta-feira, o empresário de 60 anos passou a quinta se informando da real situação do clube. É apenas um início de leitura de documentos oficiais e conversas para saber como trabalhar nos próximos dois anos. Mas ele já sabe o que fazer: ''A primeira coisa é organizar e equilibrar a administração'', falou.
Em outras palavras, Pituca, como também é conhecido, quer enxugar a dívida que imagina ser de mais de R$ 150 milhões (Luiz Gonzaga Belluzzo diz ser R$ 90 milhões) e diminuir a folha salarial do clube - o departamento de futebol gasta em média R$ 10 milhões por mês.
Tirone recebeu nas eleições o apoio de três ex-presidentes. Mustafá Contursi, Affonso Della Monica e Carlos Facchina. Mustafá é o mais polêmico de todos. Foi com ele que o time conseguiu as maiores glórias, com os lucros da parceria com a Parmalat que rendeu vários títulos, o principal deles o da Libertadores. Foi também com ele que o Palmeiras colocou o chamado ''bom e barato'' em prática, economizando dinheiro na formação da equipe.
E Tirone deve adotar a mesma filosofia. ''O bom e barato foi uma tentativa válida, mas o caro e exagerado também não está dando certo'', disse. O presidente se refere às últimas contratações, que têm causado um rombo aos cofres do clube: Luiz Felipe Scolari, Valdivia, Vagner Love, Kléber, Lincoln e tantos outros.
Tirone promete um mandato bem diferente do de seu antecessor. Na sua opinião, Belluzzo errou em várias frentes e servirá como exemplo. ''O Belluzzo tentou uma administração agressiva, investindo em todas as áreas, mas não deu certo. Não temos mais espaço para o erro - o erro financeiro, do descontrole, do deslumbramento, isso não vai mais acontecer. Não vou fazer fantasia'', garantiu. ''Temos de fazer uma reflexão de tudo e colocar uma meta de trabalho. Não temos orçamento porque já foi tudo usado'', afirmou, lembrando que o clube recebeu adiantado, por exemplo, as cotas do Estadual e do Brasileiro dos próximos anos.
Roberto Frizzo, eleito 1.º vice com larga vantagem (168 votos, diante de 78 de Seraphim Del Grande e 18 de Osório Furlan), também avisou que o Palmeiras terá de ter os pés no chão. ''Temos de buscar o que o clube puder pagar'', afirmou. ''Isso tem de ser visto com equilíbrio e viabilidade porque o clube está desgastado financeiramente''.
Tirone diz que vai pedir opiniões aos ex-presidentes, mas garante que quem manda é ele. ''Não tenho problema ter apoio dele (Mustafá), quero ter o apoio de todo mundo. Mas com 60 anos ser marionete é brincadeira, quem vai decidir meu trabalho é minha consciência''.


