Times de potencial imprevisível, Portuguesa Londrinense e Londrina entram em campo hoje, às 16 horas, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias, na 13ªedição do derby. Primeiro jogo oficial da temporada para ambos, o confronto deve dar pistas ao torcedor sobre a qualidade dos dois elencos.
  Contratações se apresentando ao longo das três semanas de pré-temporada e maus resultados em amistosos deixaram o ambiente instável tanto na Vila Santa Terezinha quanto no VGD. Nunca os dois lados tiveram tanto tempo para ‘‘promover’’ o choque entre os clubes de futebol profissional da cidade e nunca os palpites pelas ruas foram tão desprovidos de argumentos consistentes.
  Em dois amistosos no interior paulista – contra Rio Branco e Barbarense – e com dois placares idênticos – derrota por 1 a 0 – os comandados de Roberto Fernandes demonstraram pouco poder de fogo ofensivo e os treinamentos durante a semana na Estância Ferraz não mudaram muito este panorama.
  A equipe alviceleste teve que descartar quatro meias durante a pré-temporada: Germano, que devido a uma contusão muscular foi vetado na sexta-feira; Marquinhos Guarapuava, que continua se tratando do mesmo problema, sentido ainda no ano passado; Marcelinho, em recuperação de uma fratura no metatarso do pé direito; e Márcio Allan, candidato a estrela que ainda não está com preparo físico ideal.
  Tantos desfalques abalaram a produção ofensiva do meio-campo. Nem Zaltron nem Valdeir conseguiram dar criatividade ao setor. Os atacantes também tiveram aproveitamento discreto nos treinamentos. Esta combinação chegou a irritar Roberto Fernandes. O maior sintoma de que as coisas não vão bem foi a paralisação de um coletivo pelo treinador, que aos brados pediu ousadia ao time.
  Apesar dos problemas do ano passado persistirem, uma coisa parece diferente da Era Ivair Cenci: o discurso mais ambicioso. ‘‘Nós estamos entrando no Estadual para sermos campeões. O segundo objetivo é terminarmos entre os três primeiros e garantir uma vaga na Copa do Brasil em 2004’’, afirmou o técnico.
  O goleiro Marcelo, que enfrentou o ataque titular nos coletivos, reconheceu que o poderio ofensivo precisa melhorar. ‘‘Isso vai acontecer com o decorrer dos jogos. A grande diferença é que este ano estamos pensando grande’’, disse, enfático.
  O meia Valdeir acredita que o desentrosamento das duas equipes poderá fazer com que o ponto de desequilíbrio seja a técnica individual dos jogadores. ‘‘A qualidade pode fazer a diferença’’, aposta.
  A mesma opinião está do outro lado. Amarildo Vieira Martins, o diretor de futebol da Lusinha, não considera um problema o desentrosamento. Além de ter tido três técnicos somente este mês, a equipe fez cinco amistosos – venceu um, empatou dois e perdeu dois – em que praticamente ninguém pôde ser chamado de titular. Depois disso, ainda chegaram reforços, o que deixa o atual comandante Claudinho em posição desconfortável. Ele praticamente inicia o trabalho com o grupo definitivo já com um jogo valendo três pontos.
  A principal arma do time é a habilidade do meia Marcian, apontado pelo próprio treinador alviceleste como ‘‘um jogador muito perigoso’’. Outro trunfo é a vontade de Carlos Eduardo, Zé Roberto, Marco Antônio e Paulo Henrique. Por mais que neguem, para eles não será mais um jogo. Será a chance de provar que poderiam estar do outro lado.

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