Times dos sonhos do LEC
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domingo, 21 de dezembro de 2014
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Neneca; Toninho Paraná, Marinho, Márcio Alcântara e Dirceu Tanajura; Vanderley Paiva, Carlos Alberto Garcia e Ademar; Gauchinho, Brandão e Carlos Henrique. Técnico: Armando Renganeschi. Montar a seleção de todos os tempos de qualquer time de tradição é algo muito trabalhoso e injusto. Muita gente boa fica de fora por ter outro tão bom ou com tanta ou mais história na posição, ou mesmo por esquecimento na hora de eleger os 11. O Londrina tem um projeto em andamento para eleger sua seleção de todos os tempos e imortalizá-la em um espaço especial no museu que está sendo montado no VGD. Nós antecipamos essa escolha e o resultado foi esse time aí.
A FOLHA pediu para alguns jornalistas e torcedores que acompanharam boa parte da história do clube para escalarem seus 11 jogadores da história. As respostas vieram cheias de saudosismo e com o time de 1977, que encantou o Brasil, como grande fornecedor de craques. Do time campeão paranaense de 2014, o atacante Joel e o técnico Claudio Tencati foram os únicos citados e apenas uma vez.
Os radialistas Fiori Luiz e Jota Matheus, o advogado e ex-presidente do Conselho Deliberativo do clube, Walter Bittar, o ex-presidente Agostinho Garrote, e o jornalista da Folha de Londrina e torcedor assíduo, Claudemir Scalone, toparam o desafio.
"Poderia escalar três, cinco seleções dos melhores que passaram pelo Tubarão.
Na seleção, campeões de 1962, 1980, 1981, 1992, além dos heróis de 77/78. Uma
galeria se faz com campeões, com vencedores. Respeitando, evidentemente, todos
que honraram essa camisa alviceleste", apontou o narrador Fiori Luiz.
Bittar também destacou as dificuldades de se escolher apenas 11 jogadores. "Utilizei como critérios de escolha, além da grande qualidade técnica, coragem, capacidade de liderança e identificação com o clube, aqueles jogadores que conquistaram algum título ou que participaram da campanha histórica de 77/78 no Brasileiro, bem como os que tenham demonstrado ao longo dos anos vínculo afetivo ao clube ou que, de algum outro modo, pudessem vestir eternamente a camisa do Tubarão devido à qualidade demonstrada em campo", ponderou.
Foram somente duas as unanimidades: o ex-lateral esquerdo Dirceu Tanajura e o meia Carlos Alberto Garcia, considerado o maior ídolo da história alviceleste e que foi presidente também do clube.
Nas outras posições, as disputas foram apertadas em boa parte delas. No gol, Neneca bateu o tricampeão mundial Ado por três votos a dois. "Certamente um dos maiores goleiros que passaram pelo LEC. Arrojado, alto, seguro, recordista de minutos sem tomar gols, profundamente identificado com a história do clube, não tenho dúvidas que será o eterno arqueiro de nossa seleção", destacou Bittar.
Na lateral direita, Toninho Paraná recebeu dois votos, assim como Juvenal. O voto de minerva foi dos jornalistas da FOLHA, em favor de Toninho. "Era um lateral muito técnico, muito bom na bola parada, habilidoso e moderno para a época, sem contar que foi campeão da Taça de Prata de 80 e Paranaense em 81", justificou Scalone.
Na defesa, Marinho, campeão do mundo com o Flamengo, recebeu quatro votos. Da seleção escolhida foi o único a não ser campeão com a camisa alviceleste. "Também chegou à seleção brasileira. Zagueiro técnico, completo", elogiou Jota Matheus.
Márcio Alcântara é o outro defensor. Campeão paranaense em 81 e 92 e vice em 93, 94 e 95, foi o autor de um dos gols mais importantes da história do clube, no segundo jogo da final do Estadual de 1992, tirando o título das mãos do União e levando a decisão para a terceira partida. Ele também recebeu quatro votos. "Focado, forte, com excelente saída de jogo e um líder nato, Márcio não poderia ficar fora dessa zaga histórica ao lado de Marinho. Seu coração, com certeza, também é o de um tubarão de barbatanas, formaria uma zaga que aliaria uma profunda identidade com as cores do clube e de altíssimo nível técnico", comentou Bittar.
Dirceu Tanajura foi citado por todos. Ele foi um dos destaques do Brasileirão de 77, quando o Londrina terminou na quarta colocação, derrotando times como Flamengo, Santos, Corinthians e Vasco da Gama.
O volante Vanderley Paiva foi o pilar do time vencedor da Taça de Prata de 1980. Recebeu quatro votos. "Já veterano, foi o cérebro do Londrina na conquista da Taça de Prata", apontou Matheus.
Carlos Alberto Garcia, continua sendo o "Bem Amado". Comentarista de rádio, ele não passa despercebido pela cidade e é muito querido pela torcida. Foi o grande jogador daquele time de 77 e ainda marcou o gol do título paranaense de 81 em cima do Grêmio Maringá. "Não pode existir time do Tubarão sem o seu coração. Garcia, o 'Bem Amado', é o nosso maior ídolo. Jogador clássico, grande cabeceador, oportunista, com raro senso de colocação e, claro, tendo sua segunda pele alviceleste, não seria possível imaginar um jogo dessa seleção, sem aquele jogador correndo com seu sorriso carismático na direção da torcida, mandando beijinhos a cada gol que fazia. É o meu ídolo e não poderia faltar de jeito nenhum. Poucos merecem tanto a nossa reverência como ele", derreteu-se Bittar.
Ajudando Garcia no meio campo, Ademar foi o escolhido por dois dos cinco votantes. Ele se destacou com a camisa alviceleste na conquista da Taça de Prata e, também, no time de 77.
O ataque tem como comandante o maior artilheiro da história do clube: Gauchinho. Ele atuou 13 anos no Tubarão e foi autor de um dos gols na vitória sobre o Coritiba por 4 a 1 na decisão do Paranaense de 1962, primeiro título estadual alviceleste.
Outro atacante escalado é Carlos Henrique. Votado três vezes, ele foi campeão em 81 com o Tubarão. "De futebol rápido e insinuante, foi um dos responsáveis pelo título de 1981", elogiou Jota Matheus.
Fechando o time dos sonhos, outra fera de 77: Brandão. Ele marcou 11 gols na épica campanha e foi o artilheiro do time. "Apelidado de 'Pavão Misterioso', Brandão era um centroavante difícil de ser marcado. Forte, técnico, veloz, oportunista e grande finalizador, esse jogador que escreveu seu nome em nossa história, seria meu homem-gol, a referência no ataque, a certeza de grandes vitórias e muitos gols", descreveu Bittar.
Para comandar esse timaço de feras, o gringo Armando Renganeschi. "Responsável pela extraordinária campanha de 77/78, quando o Londrina ficou entre os quatro primeiros da Série A do Campeonato Brasileiro", apontou Fiori Luiz. Qual a sua seleção?
Confira as seleções ideais dos entrevistados
Fiori Luiz
Ado; Juvenal, Márcio Alcântara, Marinho e Dirceu Tanajura; Vanderley Paiva,
Carlos Alberto Garcia e Éverton; Gauchinho, Brandão e Carlos Henrique. Técnico: Armando Renganeschi
Agostinho Garrote
Neneca; Cassiano, João Neves, Márcio Alcântara e Dirceu Tanajura; Sidiclei, Nem, Carlos Alberto Garcia e Nivaldo; Brandão e Gauchinho. Técnico: Freitas Nascimento
Jota Matheus
Ado; Juvenal, Marinho, Berto e Dirceu Tanajura; Vanderley Paiva, Carlos Alberto Garcia e Tadeu; Natal, Gauchinho e Carlos Henrique. Técnico: Armando Renganeschi
Walter Bittar
Neneca; Toninho Paraná, Marinho, Márcio Alcântara e Dirceu Tanajura; Vanderley Paiva, Carlos Alberto Garcia e Ademar; Gauchinho, Brandão e Joel. Técnico: Cláudio Tencati
Claudemir Scalone
Neneca; Toninho Paraná, Marinho, Márcio Alcântara e Dirceu Tanajura; Zé Roberto, Vanderley Paiva, Carlos Alberto Garcia e Ademar; Brandão e Carlos Henrique. Técnico: Urubatão Calvo Nunes


