Times do Sul amargam o "inferno astral"
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 30 (AE) - Grêmio, Internacional e Juventude fazem suas piores campanhas no Brasileiro nos últimos anos. O primeiro semestre não foi mau para os times do Rio Grande do Sul - o Juventude conquistou a mais importante competição do país no período, a Copa do Brasil, enquanto o Grêmio ganhou a Copa Sul. Mas o segundo é assustador: o mesmo Juventude campeão e representante do Brasil na Copa Libertadores da América no ano 2.000, está prestes a ser rebaixado. Um risco que também voltou a preocupar o Inter. E o Grêmio, um pouco melhor situado, não consegue se livrar da sucessão de maus resultados. A vaia virou trilha sonora nos três estádios ao término de cada jogo.
O Grêmio trocou de técnico - Celso Roth por Cláudio Duarte - depois de perder, em casa, para o Guarani (3x2), no domingo. Trazendo novas esperanças, Cláudio Duarte estreou na quarta-feira mas a equipe apresentou-se sonolenta, sem criação de jogadas ou agressividade, e escapou de outra derrota. Saiu perdendo para o Paraná Clube e só teve forças para conseguir o 1x1.
Com 16 pontos em 13 jogos, o Grêmio é o 14º colocado e ainda pensa em classificação. Mas terá que melhorar substancialmente seu aproveitamento, hoje de 41%. O desafio é faturar 18 pontos em 24 a serem disputados. Seu próximo adversário será o Coritiba, no Paraná. O técnico avisou que exigirá maior velocidade dos jogadores. "Estamos muito lentos"
reclamou. Para isso, diz, usará aqueles que estiverem em melhores condições físicas.
Sem ganhar absolutamente nada no primeiro semestre - seu melhor momento aconteceu na Copa do Brasil, quando chegou às semifinais - o Inter trocou de técnico antes do Grêmio, apavorado com as quatro derrotas seguidas no começo do Brasileiro. Saiu Paulo Autuori e chegou Walmir Louruz, valorizado pela Copa do Brasil levantada no comando do Juventude.
A equipe melhorou seu rendimento mas voltou a cair nas últimas rodadas. Perdeu três dos últimos quatro jogos. Seu melhor resultado foi o 0 x 0 com o Sport, na quarta-feira, em Recife. Tudo ficou mais difícil ainda porém o presidente do clube, Paulo Rogério Amoretty, definiu o empate em Recife como "um alívio".
Seu maior problema é o ataque que não consegue marcar há quatro partidas. Todos os jogadores testados - os centrovantes Celso e Anderson Barbosa e os atacantes Zezinho, Fabiano e Almir não deram boa resposta. Christian é a grande saudade da torcida. Depois que o artilheiro foi para o Paris Saint Germain começou o jejum de gols. A ineficácia do jogadores de frente motivou cobranças do capitão Dunga, por sua vez criticado pela direção do clube. O Inter tem 14 pontos em 13 jogos, um aproveitamento de 36%. Está em 16º lugar, perto demais dos quatro últimos. Seu adversário do fim-de-semana será o Santos, em Porto Alegre.
A maior decepção fica por conta do Juventude, hoje praticamente na segunda divisão. Poucas semanas após conquistar o título mais importante da sua história, a Copa do Brasil, iniciou um processo de decadência, que três técnicos - Walmir Louruz, Heron Ferreira e, atualmente, Gílson Nunes - não conseguiram travar. A rigor, a equipe é a mesma do primeiro semestre. Dos titulares, saíram apenas o zagueiro Capone e o centroavante Márcio.
Penúltimo colocado na tabela e muito próximo do descenso
o Juventude conseguiu apenas 12 pontos em 14 partidas. Pior só o Botafogo/RJ. Para sobreviver na primeira divisão, o alviverde terá que aumentar radicalmente seu aproveitamento, hoje de 29%, e promover uma façanha: vencer quatro dos sete jogos que lhe restam. Atingidos pela crise e acossados pelas críticas, os jogadores fizeram um pacto de silêncio, prometendo não dar entrevistas até o final do campeonato.


