Arquivo FolhaMoreno quer União em 4º lugar‘‘O título deste ano vai ficar na Capital’’. A frase certeira, pronunciada invariavelmente em tom melancólico por dirigentes, técnicos, jogadores, torcedores e jornalistas esportivos, ecoa por todo o interior do Estado. Mas essa crônica da vitória curitibana anunciada parece não incomodar os clubes coadjuvantes, que antes mesmo do início da competição já se excluem do páreo, inferiorizados diante da crescente superioridade técnica, e sobretudo financeira, do ‘‘trio de ferro’’ (os chamados ‘‘primos ricos’’ do futebol paranaense).
Relegados a uma disputa secundária - onde a quarta colocação bem que poderia dar direito a um prêmio de consolação, como uma taça de ‘‘Campeão do Interior’’ ou mesmo algumas medalhas de ‘‘Honra ao Mérito’’ - os ‘‘primos pobres’’ sabem muito bem até onde podem chegar neste octogonal. Matsubara, União Bandeirante, Francisco Beltrão, Apucarana e Iraty querem apenas fazer um bom trabalho, de preferência desenvolvendo um futebol digno e de qualidade.
Para o presidente do conselho deliberativo do Matsubara, Sueo Matsubara, só o fato de sua equipe ter se classificado entre os oito finalistas já representa uma vitória. ‘‘Se o campeonato terminasse hoje, nós seríamos o quarto melhor time do Estado. Considerando que nossa estrutura é bem diferente dos clubes da Capital e a pouca idade dos nossos jogadores, isso é muito bom’’.
Além da falta de dinheiro, outro grande desafio dos dirigentes interioranos é manter, a médio e longo prazo, um mínimo de organização e planejamento administrativo. Acusado de ‘‘autoritário’’ e ‘‘ditatorial’’ pelos adversários, o presidente do Francisco Beltrão, Armando Kresfta, diz que é obrigado a comandar o clube com ‘‘mão de ferro’’, e que foi graças a esse estilo pouco democrático que o time conseguiu o êxito desejado. ‘‘Salvei a honra do Oeste e do Sudoeste do Paranᒒ, vangloria-se Kresfta. ‘‘Se eu der moleza, não tiver a mão firme, os inimigos tomam conta. Tem um pequeno grupo que vive falando mal, mas se eu tivesse cometido alguma irregularidade, os 42 sócios-fundadores teriam me derrubado’’, argumenta o dirigente, que também é advogado criminalista.
Mas se depender do supervisor do União Bandeirante, José Corpas Moreno, as outras equipes do interior terão que se contentar com o quinto lugar em diante. Quarto colocado no Paranaense do ano passado, o alvinegro bandeirantino pretende manter a hegemonia no resto do Estado. ‘‘Que os três clubes da Capital estão num outro nível, todo mundo sabe. O que interessa para nós é manter essa quarta colocação, já que a equipe deste ano é bem jovem e praticamente diferente daquela do ano passado’’.
As equipe do interior que se tornaram campeãs paranaenses foram o Monte Alegre, de Telêmaco Borba, em 1955; o Comercial, de Cornélio Procópio, em 61; o Londrina em 62/81/92; o Maringá em 63/64/77: e o Cascavel em 80.

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