A Lei do Passe não vai atrapalhar os planos do Atlético Paranaense na formação de atletas. Mesmo com as novas regras, que entraram em vigor ontem, o clube pretende continuar investindo nas categorias de base.
Na opinião do presidente Rubro-Negro, Marcus Coelho, o clube vai investir mais na estruturação dessas categorias. ‘‘Temos um trabalho positivo que tem dado resultado. Não fomos bem no torneio de juvenis disputado recentemente, porque é uma categoria que está iniciando agora, mas que tem um bom futuro’’, disse Coelho.
Segundo ele, o Atlético defendeu durante as discussões da nova lei, a transparência na contabilidade dos clubes, o que deve favorecer o acompanhamento de autoridades e torcedores junto à equipe.
Os atletas que mantém vínculos com o Atlético, no entanto, continuam sob o regime antigo. Na opinião de Coelho, somente os contratos assinados a partir de agora serão enquadrados na Lei do Passe. ‘‘Existem pessoas que pensam de forma diferente, mas somente os novos contratos se enquadrarão na Lei do Passe’’, afirmou o presidente.
Um dos atletas mais novos do Rubro-Negro é o meio-campo Kleberson, com 21 anos. Considerado peça fundamental nos esquemas táticos dos treinadores atleticanos, o jogador tem contrato com o clube até 2004 e acha que a lei vai favorecer muitos atletas.
‘‘Todo jogador que atua nos juniores de um time quer defender a equipe principal desse clube, por isso não há problema em fazer um contrato longo. Acredito que a lei vai favorecer o atleta sim, e também favorecer o clube que ajudou nessa formação’’, disse Kleberson.
Para os dirigentes do Paraná Clube a lei é uma incógnita. O superintendente de futebol, Ricardo Lima, afirmou estar analisando a medida. ‘‘Para nós não há problemas imediatos porque não temos nenhum contrato que vença em menos de 60 dias. Mas a lei tem que ser revista porque está sendo um lobby individual. Ou o atleta, ou o clube ganha enquanto os dois tinham que ceder para se chegar a um acordo’’, afirmou.
Lima questiona os investimentos feito pelos clubes nos atletas e até onde isso seria recompensado com a medida em vigor. ‘‘Acho que deveria ter sido formulado um resumo da lei, porque está muito confusa’’, completou.
No Coritiba o supervisor Caio Júnior conversou com os atletas e explicou que os jogadores precisam ser extremamente profissionais a partir de agora, caso contrário os clubes vão esnobar muitos atletas. ‘‘A lei favorece aos melhores jogadores e aqueles que encaram o futebol como uma profissão. Eu vivi essa situação por oito anos, na época em que joguei na Europa’’.
LevantamentoCBFA CBF vai fazer um levantamento de todos os contratos dos jogadores para saber quais terminarão em breve, assim que for publicada a Medida Provisória do governo federal no Diário Oficial.

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