Time tenta esquecer a Dinamáquina
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quarta-feira, 01 de julho de 1998
Das agências 
Aquela história de Dinamáquina é coisa do passado. Doze anos depois da elogiada e surpreendente participação na Copa do Mundo do México, em 1986, os jogadores da Seleção Dinamarquesa, próximos adversários do Brasil na França, não gostam de comentar sobre a antiga equipe e evitam comparações. A razão é simples. Toda vez que se fala no time de 86, a cobrança por atuações semelhantes aumenta.
Em 1992, quando a Dinamarca conquistou o título da Eurocopa, houve um clima ruim entre jogadores e a imprensa, lembra o jornalista Niels Larsen, da revista esportiva semanal dinamarquesa Tips Blade. Apesar da vitória inédita, o time foi criticado por não ter apresentado um belo futebol, como o da Copa do México, afirma Larsen.
Na Copa do México, a Dinamarca derrotou a Escócia por 1 a 0, goleou o Uruguai por 6 a 1 e fez 2 a 0 na Alemanha, na primeira fase. Na etapa seguinte, porém, perdeu por 5 a 1 para a Espanha e foi embora para casa. Da atual equipe, apenas o meia Michael Laudrup, de 34 anos, participou do Mundial. São equipes diferentes e fica muito difícil falar sobre o assunto, esquiva-se Laudrup.
O passado é esquecido e, o futuro, imprevisível. Não sabemos o que poderá acontecer contra o Brasil, afirma o técnico Bo Johansson. Uma coisa é certa: na partida contra a Seleção Brasileira, o que vier é lucro. Uma derrota brasileira seria algo desastroso para eles, mas não faria a menor diferença para nós, garante Laudrup.
Se jogarmos tão bem como na partida contra a Nigéria (vitória por 4 a 1 pelas oitavas-de-final), podemos equilibrar o jogo contra o Brasil, prevê Johansson. Isso não significa, porém, vencer o Brasil. O atacante Brian Laudrup, o irmão mais novo de Michael, já se contentaria por ter chegado aonde chegou. Ficarmos entre os oito melhores já foi formidável.
Assim como não falar do passado é livrar-se de uma cobrança, ser pouco ambicioso em relação ao futuro é livrar-se de pressões. A obrigação de vencer é toda dos brasileiros, completa Michael Laudrup. A empolgação após a vitória contra a Nigéria ficou evidente e a confiança aumentou também.
Os torcedores estão animados. Depois de eliminar os nigerianos, cerca de 50 mil torcedores reuniram-se em uma praça em Copenhague, capital dinamarquesa, para comemorar a inédita classificação. Vencer o Brasil seria uma sensação indescritível, comenta Brian Laudrup.
Ontem o time dinamarquês treinou em Toulon, com quase todos os titulares. Apenas o zagueiro Rieper acusou dores nas costas, mas deverá atuar contra os brasileiros. O técnico Bo Johansson disse que está treinando sua equipe como se estivesse esperando um jogo normal.
Ontem, em um pequeno estádio de Toulon, o primeiro treino sério da semana ocorreu em absoluta tranquilidade. Além das atividades físicas, Johansson dirigiu apenas um coletivo de meia hora com os titulares. À tarde, os jogadores tiveram mais uma folga.
Hoje, já em Nantes, a Dinamarca deverá fazer seu único treinamento tático para enfrentar o Brasil, durante o reconhecimento do gramado do Estádio La Beaujoire, que será fechado ao público. Os irmãos Laudrup - Michael e Brian - terão um torcedor especial em Nantes amanhã: Finn Laudrup, pai da dupla dinamarquesa e ex-jogador de futebol que brilhou nos anos 60.France PresseTrio parada duraBrian Laudrup, Michael Laudrup e Thomas Helveg treinam em Toulon: Para a Dinamarca, o que vier é lucroJogadores dinamarqueses fogem de comparações com a equipe de 86 para evitar as pressões por um futebol mais bonito


