Time rejeita prêmio por vaga olímpica
Agência Folha
De Campo Grande
A seleção pré-olímpica do Brasil, que faz hoje, às 22h40 (de Brasília), contra o Paraguai, seu último amistoso na temporada, vive uma situação incomum. Se o time conquistar uma vaga para os Jogos de Sydney, no Pré-Olímpico de janeiro/fevereiro em Londrina, a CBF pretende dar a cada jogador prêmio de R$ 30 mil, o mesmo valor pago pelo título da Copa América, em julho, no Paraguai. Só que a comissão técnica e os jogadores teriam recusado a proposta não por acharem o valor pequeno, mas por terem decidido abdicar de qualquer premiação quando do lançamento do Projeto Ouro Olímpico, em novembro.
Apesar de o time sub-23 ter atuado no primeiro semestre, contra os Estados Unidos, em Brasília, foi apenas no mês passado, quando esteve em Sydney e Melbourne, que o projeto foi apresentado aos atletas. Na ocasião, Wanderley Luxemburgo anunciou que, se o Brasil obtivesse a inédita conquista do ouro no futebol, não haveria premiação aos jogadores. Como justificativa, usou o desejo de vê-los imbuídos de espírito olímpico. Como não haveria prêmio por eventual conquista da medalha de ouro, a comissão técnica entende que não faria sentido receber prêmio pela classificação à Olimpíada.
Para o meia-atacante Denílson, capitão da equipe, a discussão sobre premiação de fato não cabe em disputa de Olimpíada. O jogador ganha dinheiro no clube. Na seleção, o espírito tem que ser outro, principalmente em Olimpíada.
Ronaldinho é da mesma opinião. Ele elogiou a atitude de Ronaldo, da Inter, que doou o prêmio de R$ 30 mil da Copa América para uma entidade de combate ao câncer. Se eles nos derem alguma coisa mesmo, seria legal todo mundo fazer uma doação, disse o atacante.
Sobre o amistoso em Campo Grande, os jogadores acham que o Paraguai será mais difícil do que a Bolívia, derrotada por 3 a 0 em Cuiabá, na última sexta-feira. O Paraguai tem mais tradição e um time mais forte, comentou o zagueiro Fábio Bilica. Não vai ser um jogo fácil, prognosticou Luxemburgo, concordando com o comentário de Raúl Amarilla, o técnico paraguaio, segundo o qual tanto Brasil quanto Argentina terão dificuldades no Pré-Olímpico. O Uruguai vem com a base da Copa América, a Colômbia cresceu muito e o próprio Paraguai é um adversário de respeito, completou o treinador brasileiro.
Hoje, porém, os paraguaios não devem contar com o atacante Santa Cruz, principal destaque do time, não liberado pelo Bayern de Munique para o amistoso.
Mozart O São Paulo e o Porto (Portugal) estão tentando contratar o volante Mozart, do Coritiba, um dos destaques da seleção olímpica do Brasil. O interesse dos paulistas foi demonstrado no fim-de-semana, quando o clube perdeu para o Atlético-PR, em Curitiba, pela seletiva da Libertadores. O do Porto, por intermédio do irmão do volante, o atacante Edu, que atua no futebol português. O Coritiba atravessa problemas financeiros, e seria muito bom ir para um grande centro, disse Mozart, que sonha jogar em São Paulo ou no Rio.
FICHA TÉCNICA
Brasil
Fábio Costa; Mancini, Cris, Álvaro e Athirson; Mozart, Fabiano, Alex e Denilson; Ronaldinho e Fábio Júnior. Técnico: Wanderley Luxemburgo
Paraguai
Justo Villar; Hernán Florentín, Paulo da Silva, Dario Verón, Morel Rodriguez; Jorge Britez, Diego Gavilla, Ever Gimenez e Carlos Perez; Nelson Cuevas e Cesar Ramirez. Técnico: Raul Vicente
Árbitro: Paulo César de Oliveira (Fifa/SP)
Estádio: Morenão, em Campo Grande
Horário: 21h40 (22h40 de Brasília)Grupo alega que tem de ir a Sidney-2000 com outro espírito; equipe enfrenta o Paraguai sub-23 esta noite em Campo Grande
Albari Rosa/Arquivo FolhaÉ ASSIM, Ó!Luxemburgo orienta Alex: jogadores acham que o Paraguai será um adversário mais difícil que a Bolívia





