Agência Folha
Do Rio e São Paulo
Os jogadores do Corinthians foram recebidos por cerca de 2.500 torcedores, na madrugada de ontem, no aeroporto de Cumbica, pouco depois do título mundial conquistado diante do Vasco, no Rio de Janeiro. Os jogadores Dinei, Adílson, Marcelinho, Indio, Fábio Luciano e Batata cursaram o trajeto entre o aeroporto e o Parque São Jorge em um carro de bombeiros, junto com dirigentes da equipe – o presidente Alberto Dualib e o diretor de futebol Carlos Nujud – e muitos torcedores. O carro de bombeiros foi escoltado por quatro batedores da PM e seguido pelos veículos, que provocaram buzinaço e congestionamento na rodovia Ayrton Senna e na marginal Tietê. Na chegada à sede do clube, no Tatuapé, houve queima de fogos de artifício.
Ainda em cima do carro de bombeiros, o meia-atacante Marcelinho puxou um coro de provocação ao arqui-rival do Corinthians, o Palmeiras. ‘‘Chora porco imundo, o coringão é campeão do mundo’’, cantaram o jogador, junto com Dinei, que sambavam com a taça na mão, e a torcida. O meia Rincón e o goleiro Dida preferiram fazer o percurso no ônibus do clube, que tinha na sua parte frontal a inscrição ‘‘Campeão Mundial’’.
As ausências na festa de chegada dos campeões mundiais foram o técnico Oswaldo de Oliveira, que ficou no Rio com o preparador físico Antônio Mello, o atacante Edílson, o zagueiro João Carlos e o meia Ricardinho, que foi para o Paraná. Luizão, que espera o pagamento de uma dívida do Vasco, também permaneceu na capital fluminense.
O ‘‘vôo do título’’ aconteceu por volta da 0h50. O avião fretado pelo Corinthians levou 71 pessoas, a maioria dirigentes. Rincón já deve ir para a Colômbia na segunda. Poucos jogadores irão se reapresentar na quarta-feira, iniciando a preparação para o Torneio Rio-São Paulo. Na saída do Corinthians do Maracanã, a torcida do time saudou com euforia seus jogadores, que seguiram sem grandes manifestações para o aeroporto.
O goleiro Dida disse já estar farto do lance que é hoje sua especialidade. ‘‘Não quero mais pênaltis. Eles provocam sofrimento nos jogadores e na torcida’’, afirmou o goleiro, que defendeu chute de Gilberto e viu Edmundo errar outra cobrança.
Até a final de anteontem, Dida vinha de uma sequência de quatro pênaltis defendidos. Juntando a decisão por pênaltis do Mundial de Clubes e a temporada de 1999, são nove penalidades agarradas. ‘‘Espero que não’’, disse Dida ao ser questionado sobre se torcia por novas decisões por pênaltis.
Avesso a entrevistas e comemorações, o goleiro revelou ter vibrado mais na decisão de anteontem. ‘‘Até gritei. Fiz tudo o que tinha direito. Cada um tem uma maneira diferente de vibrar. Comemorei mais no vestiário, junto com os companheiros, onde a emoção é maior’’, disse.
Edmundo – O atacante Edmundo, que perdeu o último pênalti da decisão do primeiro Mundial de Clubes da Fifa, disse que não existe culpado na perda do título. ‘‘Lógico que sempre procuram um culpado na derrota. Peço desculpas aos torcedores, mas é uma grande injustiça apontar um culpado’’, afirmou Edmundo, que se ajoelhou no gramado do Maracanã após desperdiçar a cobrança. Romário deixou o estádio sem dar declarações.