São Paulo, 11 (AE) - Os medalhistas dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, serão recebidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso amanhã, às 11 horas, em Brasília. Esta foi a melhor participação brasileira em um pan-americano: o País terminou a competição em quarto lugar, com 25 medalhas de ouro e 101 no quadro final.
Uma delegação, entretanto, não poderá exibir a medalha de bronze conquistada no torneio. A equipe de hóquei in-line ainda não recebeu a premiação, que pode demorar mais um mês para chegar aos atletas. A seleção brasileira só obteve a medalha depois que foi comprovado o uso de doping pelo goleiro canadense Steve Vezina. A equipe do Canadá perdeu o ouro, que passou para os Estados Unidos. A prata ficou com a Argentina e o bronze, com o Brasil.
Os atletas brasileiros só souberam da premiação três dias depois de voltarem de Winnipeg. "Vi pela televisão", relata Paulo Sums, de 31 anos, jogador mais velho do time. Agora, o grupo espera ansiosamente a entrega da medalha. "Disseram que é superbonita", afirma o jogador Renato Nogueira, de 19 anos.
Segundo o presidente da Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação, Caetano Carlos Bonchristiani, a Organização Desportiva Panamericana (Odepa) determina que em casos como este
as medalhas das outras delegações sejam recolhidas e depois redistribuídas pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). "Isso pode levar até um mês", explica.
Surpresas - A confederação tentou aproveitar o encontro com o presidente para receber a premiação, mas não conseguiu. "O mais provável é que eles recebam as medalhas na sede do COB, no Rio"
afirma Bonchristiani.
Para o treinador da seleção, Edmar Figueiredo, perder para a Argentina na disputa do bronze foi uma surpresa maior do que a própria medalha. "O time era mais fraco, nós ganhamos de 6 a 2 na primeira partida", conta. Por isso, ele acredita que só há uma explicação para a derrota. "Era o dia deles."
A vitória era tão esperada pelos jogadores que a bandeira brasileira já estava preparada para a comemoração. "Quando o jogo acabou, não acreditei e comecei a chorar", lembra Daniel Bellangero, de 19 anos. "Nos preparamos para o Pan o ano inteiro, tínhamos certeza de que voltaríamos com a medalha."
Na opinião de Bonchristiani, a medalha "voltou" para o Brasil. "Foi feita justiça, eles mereciam uma boa colocação", diz. Apesar de não terem tido a emoção do pódio, o grupo acredita que o episódio foi positivo para o esporte. "Tivemos muita divulgação, o que pode ajudar a popularizar o hóquei no País", observa Figueiredo. "Quem sabe agora não encontramos um patrocínio?"

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