São Paulo, 01 (AE) - As jogadoras deixaram o hotel carregando suas máquinas fotográficas para não perder a oportunidade de tirar uma foto ao lado de Paula ou de outras atletas famosas do basquete brasileiro, que já foi campeão mundial e é vice-campeão olímpico. Novatas, habituadas a reinar em Santa Catarina, onde apenas quatro equipes disputam o regional, para as meninas do clube Vasto Verde, de Blumenau, no entanto, o Campeonato Nacional Feminino de Basquete é muito mais do que a oportunidade de obter a foto. Significa a chance de jogar um basquete competitivo, que não existe em Santa Catarina.
"É uma incrível oportunidade de aprendizado", observa Adílson Vaz Trindade, supervisor do time. "Elas percebem que têm muito a aprender para jogar no alto nível, enquanto nós tentamos convencer a comunidade e os patrocinadores da importância do esporte." As meninas do Vasto Verde, que já vinham de quatro derrotas consecutivas, foram massacradas pelo BCN/Osasco, no sábado: 107 a 39.
"Em parte, foi a idolatria; quando eu percebi que elas estavam levando as máquinas para o ginásio...", diz Adílson. "As jogadoras do BCN faziam as jogadas e elas ficavam olhando." O clube tinha basquete feminino havia 20 anos, mas apenas da escolinha à categoria infanto-juvenil. A partir da categoria juvenil, as jogadoras têm de procurar espaço em outros clubes. Com o apoio do empresário Roberto Zen, dono da metalúgica Irmãos Zen, de Brusque - cidade vizinha a Blumenau -, o Vasto Verde decidiu participar do Nacional, mas com o mesmo time que atua no estado, com uma base formada por jogadoras da região. O empresário é apaixonado por basquete e tem uma filha, Roberta Marina Zen, de 14 anos, que está participando do Nacional pela equipe.
"Nossa intenção é desenvolver o esporte no estado, mas mantendo as categorias de base." Todas as jogadoras recebem, juntas, R$ 4,6 mil por mês, como ajuda de custo - muitas vezes menos do que o salário de uma única atleta de um dos times de ponta. A equipe, comandada por álvaro Portugal e Oliveira, que tem em sua base Valdice, Juliana, Lizane, Daniela e Patrícia, tem pretensões modestas: continuar no Nacional nos próximos anos.

mockup