O Corinthians tem um duplo desafio hoje à tarde: vencer a Ponte Preta, em Campinas, e provar que não depende totalmente de Marcelinho Carioca, seu principal jogador. Suspenso, assim como o lateral-esquerdo Silvinho, o craque não estará em campo. Marcelinho não é só o artilheiro do Campeonato Brasileiro, autor de 11 dos 25 gols do Corinthians na competição. Ele é o capitão e líder da equipe, cobrador de faltas, escanteios e pênaltis e principal organizador de jogadas de ataque do time.
‘‘Ele vai fazer falta, principalmente nas bolas paradas, mas o Corinthians não pode depender de um só jogador, disse o técnico Wanderley Luxemburgo, avesso às ‘‘estrelas’’ e simpático ao ‘‘grupo’’. ‘‘Vamos encontrar um substituto à altura’’, acrescentou o técnico.
Mas a tarefa não é tão simples. O próprio Luxemburgo está indeciso em relação ao substituto. Ontem, ele disse ter simplesmente quatro opções para a vaga. Escalar um volante, Amaral ou Gilmar, protegendo mais o meio-de-campo e o sistema defensivo, ou colocar mais um atacante, Didi ou Mirandinha, recuando Edílson para a função ocupada por Marcelinho.
O zagueiro Gamarra esquentou a guerra política no Corinthians, que elege hoje o seu novo presidente, ao declarar que o Banco Bilbao Vizcaya, detentor do controle acionário do Excel-Econômico (patrocinador do time), deve deixar o clube e vai vender os passes de todos os jogadores que lhe pertencem no fim do ano. São os casos do próprio Gamarra, Vampeta e Edílson.
Até então, nem o candidato da situação, Alberto Dualib, e nem a da oposição, Marlene Matheus, haviam tocado no delicado assunto para não assustar os eleitores.
‘‘O meu procurador consultou o pessoal do Vizcaya, que já adiantou que não quer trabalhar com jogadores’’, disse Gamarra, que tem contrato com o Corinthians até o fim de 99 e quer que o clube compre seu passe do banco.
As eleições de hoje começam às 9 horas e terminam às 18 horas. Os sócios que estiverem em dia com seus pagamentos vão eleger 205 conselheiros quadrienais e 100 suplentes. São os conselheiros que escolhem o presidente, que ainda pode ser definido na Justiça.

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