Timão promete surpresa ao rival
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Agência Estado 
Sem divulgar a escalação do time (ele pretende armar uma surpresa para o adversário), Oswaldo de Oliveira revelou ontem detalhes da estratégia que o Corinthians vai utilizar para tentar eliminar o Palmeiras da Taça Libertadores amanhã. Quem espera um time desesperado e afoito, buscando a vantagem de pelo menos dois gols desde o início, está enganado. Oswaldo disse que a equipe tomará a iniciativa, mas será cautelosa. Vamos preparar o time para fazer primeiro um gol, com calma, e aí então buscar a vantagem necessária; o Corinthians precisa estar concentrado, sem entrar em provocações ou pânico.
Segundo Oswaldo, a equipe terá uma dupla preocupação desde o início: Atacar, neutralizando o contra-ataque do Palmeiras, já que não podemos sofrer gols. O maior temor continua sendo o jogo aéreo do Alviverde. Desta vez, além de um bom posicionamento dentro da área, Oswaldo está orientando o time a evitar cometer faltas desnecessárias nas laterais do campo. Mas o Corinthians também terá as suas jogadas ensaiadas de bola parada. É o que faz a diferença num jogo deste, disse Marcelinho, que treinou diversas cobranças ontem com Ricardinho.
Com a bola rolando, o Corinthians jogará pelo chão, evitando os chuveirinhos. O time tentará envolver pelo meio, com passes curtos, aproveitando a habilidade de Vampeta e Rincón. Acho que aí pode estar o sal da terra, disse Oswaldo.
O técnico só não quer revelar a escalação da equipe. Com a volta de Rincón, ele tem mais opções. Uma delas, é tirar Amaral do meio e colocá-lo na lateral, na vaga de Índio, formando o meio com Vampeta, Rincón, Marcelinho e Ricardinho ou Dinei.
Rincón, enfim, é uma unanimidade no Corinthians. Ele retornou ao time contra o Guarani, após 21 dias afastado por uma contusão nas costas, e já é a grande esperança para a virada corintiana. Não escreve isso não, mas o Rincón é f..., disse Oswaldo. Ele tem uma influência muito grande sobre a equipe pela capacidade de passar informações aos outros atletas, acrescentou.
Eu fico até meio sem jeito quando eles falam assim, disse Rincón, que tem a receita para derrotar o rival. O Palmeiras não é tudo isso; ele dá chances para ser derrotado e só precisamos ser eficientes nas conclusões, disse. O Corinthians ataca, ataca, e o Palmeiras vai e faz: assim, não dá.
Palmeiras - Véspera de decisão é hora de o técnico Luiz Felipe Scolari mexer com os brios de seus jogadores. Após a derrota, com um time quase todo reserva, por 5 a 1 para o São Paulo, domingo, pelo Campeonato Paulista, o treinador do Palmeiras ameaçou punir alguns atletas, com multas e afastamentos do grupo. Só ameaçou. Ontem à tarde, no CT, mudou o discurso e limitou-se a dar broncas em seus subordinados.
Antes do treinamento, Scolari reuniu todo o elenco para uma conversa. Falou, sem ser interrompido, por 20 minutos. Apontou erros, distribuiu conselhos e pediu mais garra aos atletas para a partida contra o Corinthians, pela Taça Libertadores, amanhã à noite, no Morumbi, em que mesmo a derrota por um gol de diferença classifica o alviverde para a semifinal.
Nem os titulares que não atuaram diante do São Paulo foram poupados. Todos defendem a mesma camisa, fazem parte do mesmo grupo e são responsáveis por vitórias ou derrotas, explicou o treinador.
As multas, porém, não vieram. Ainda bem, escapamos do prejuízo, brincou o lateral Júnior, que volta à equipe no torneio sul-americano. Ele cumpriu suspensão na primeira partida contra os alvinegros. Segundo Arce, velho conhecido dos métodos de trabalho do chefe, Scolari sempre busca motivar os jogadores em decisões, com críticas ou ameaças. Nem ligo mais para isso, apontou o paraguaio.
Scolari voltou a criticar o olé dado pelos são-paulinos no domingo. Na verdade, estava apenas alertando seus próprios jogadores sobre a importância de não menosprezar o Corinthians. Em decisão, o time não pode brincar, destacou. Tem de jogar sério, dar chutões e não ficar tentando criar lances de craque.
O alerta parece ter sido assimilado pelos palmeirenses. Com certeza, vamos respeitar os corintianos e deixar de lado o salto alto, apesar de nossa vantagem, disse Júnior.


