Despesas maiores que as receitas. Grandes dificuldades para saldar a folha de pagamento e fazer contratações. Cansado da deficitária realidade do futebol brasileiro, o Corinthians espera a ‘‘independência financeira’’. O clube espera fechar segunda-feira um acordo de parceria pelos próximos dez anos com o Banco Icatu.
O Banco Icatu, que lidera um pool de investidores, planeja investir pelo menos R$ 430 milhões no Corinthians durante os dez anos de contrato. Só de luvas (adiantamento) para a assinatura do compromisso, pagaria R$ 26 milhões. A crise econômica que desvalorizou o real provocou uma nova discussão sobre os valores da parceria e atrasou o acerto final.
Pelo acordo, o banco deve assumir todas as despesas do Departamento de Futebol do clube (salários dos jogadores, viagens, concentrações, etc) em troca da gestão de todas as receitas (patrocínio, material esportivo, bilheteria, direitos de TV e licenciamento de produtos com a marca Corinthians).
Além disso, o Icatu promete terminar as obras do Centro de Treinamento do Corinthians e construir um estádio multiuso, com capacidade para 45 mil pessoas. Caso construa mesmo o estádio, prorrogaria o contrato de parceria com o Corinthians de 10 para 20 ou 30 anos. No fim, o banco repassaria o novo patrimônio ao clube.
O banco fez uma auditoria de três meses no Corinthians e concluiu que o clube, apesar de uma dívida de cerca de R$ 15 milhões, está apto à parceria, segundo o vice-presidente de Marketing do Corinthians, Edgard Soares.
John Michael Streithorst, gerente de Corporate do Icatu, disse que o papel do banco já está definido: assim como o NationsBank, associado ao Vasco, o Opportunity, ligado ao Bahia, e outros bancos de investimento interessados no futebol, o objetivo não é comprar e vender o passe de jogadores, como fizeram o Banco Excel, ex-patrocinador corintiano, e a pioneira Parmalat, que se associou ao Palmeiras. ‘‘Nosso objetivo é organizar as finanças dos clubes e lucrar a longo prazo’’, explica um investidor. Os bancos deixarão as decisões esportivas, como a contratação de atletas, a cargo dos dirigentes do ramo.

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