Timão e Palmeiras testam adrenalina
Agência Estado
De São Paulo
Não é jogo de final nem tão pouco pode colocar um dos times em má situação no Campeonato Brasileiro. Entretanto, o clássico de hoje entre Corinthians e Palmeiras é o mais aguardado dos confrontos entre os grandes clubes do País. O motivo é um só: o tumultuado segundo jogo da decisão do Campeonato Paulista que não chegou ao seu final devido a uma briga generalizada, dentro e fora do campo, entre os jogadores dos dois clubes. O palco do clássico de hoje será o mesmo Morumbi, às 17 horas. Será o oitavo jogo este ano entre os rivais.
O Corinthians está melhor situação no Brasileiro tendo vencido oito dos nove jogos disputados perdeu apenas para o Flamengo, de Romário, no Pacaembu , e conquistou 24 pontos. O técnico Oswaldo Oliveira terá força total no alvinegro. O Palmeiras, que vai bem na Copa Mercosul, é o 17º colocado com 9 pontos em oito jogos. O técnico Scolari terá a volta de Agnaldo na zaga.
Este ano, Corinthians e Palmeiras já fizeram sete encontros por duas competições Libertadores da América e Campeonato Paulista , com muito equilíbrio. Foram três vitórias de cada equipe e um empate no último confronto. O número de gols é quase igual. Os corintianos marcaram 10 e os rivais, 9. Enquanto o Palmeiras foi campeão sul-americano, o Corinthians venceu o Paulista.
Os 630 minutos de rivalidade em campo em 99 foram marcados por muita emoção, momentos de superação das equipes, provocações, agressões, discussões com a arbitragem, além da consagração de alguns atletas, como o goleiro Marcos e o colombiano Rincón. Outros, como o corintiano Edílson, tiveram prejuízo. Abaixo, algumas histórias dos quatro últimos encontros dos arquiinimigos.
Na vitória palmeirense por 2 a 0 no primeiro jogo dia 5 de maio, válido pelas quartas-de-final da Libertadores, gols de Oseas e Rogério, o goleiro palmeirense Marcos fez a torcida esquecer, de certa forma, o passado glorioso do ex-titular Velloso. Marcos, que seria posteriormente escolhido o melhor atleta da competição, ganhou elogios de goleiros ilustres do passado, como Gilmar dos Santos Neves e Oberdan Cattani. Foi elevado à condição de santo por muitos palmeirenses. Foram defesas milagrosas. Ele garantiu a vitória diante de um adversário que passou quase todo o jogo atacando. As mãos de Deus estiveram comigo, disse o goleiro, ao deixar o campo, chorando.
Depois da derrota de uma semana antes, nem Miranílson Carvalho Santos ou Pai Nílson, o pai-de-santo oficial do Corinthians, apostava em uma virada alvinegra e na passagem para a semifinal. Os atletas corintianos estão com uma carga negativa muito grande, comentou. A equipe era também motivo de gozações dos adversários. Em campo porém, o Corinthians superou-se. Ao contrário de todas as expectativas, devolveu a derrota por 2 a 0 no dia 12 de maio, com gols de Edílson e Ricardinho e levou a decisão para os pênaltis. Vampeta e Dinei, curiosamente os que haviam tirado a roupa nas páginas de uma revista gay, desperdiçaram as cobranças. Caímos de pé, resumiu o técnico Oswaldo de Oliveira.
O primeiro jogo da decisão do Campeonato Paulista foi o início da vingança corintiana. Com uma vitória por 3 a 0, no dia 13 de junho, gols de Edílson, Marcelinho Carioca e Dinei, a equipe deu um grande passo rumo ao título. O jogo, com a arbitragem de Oscar Roberto de Godói, foi polêmico. Com as expulsões de Galeano e Evair, quando o Corinthians vencia apenas por 1 a 0, os palmeirenses sentiram-se prejudicados.
Segundo relato oficial de Godói, Evair ofendeu o ex-árbitro José de Assis Aragão ao receber o cartão vermelho. Este pode ainda processar o atleta. Godói desagradou ao presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, e não apitará o Paulista de 2000. Nem que ele fosse meu pai, garantiu Farah.
O jogo final, no dia 20 de junho, estava empatado por dois gols, quando Edílson, virtual campeão paulista àquela altura, resolveu brincar. Colocou a bola na nuca e causou uma pancadaria generalizada em campo. Paulo Nunes foi o primeiro a começar as agressões. O jogo acabou pouco depois dos 30 minutos do segundo tempo. A conquista do 23º título estadual foi manchada e o técnico Oswaldo de Oliveira, em seu primeiro título como treinador, acabou ofuscado. Farah não gostou do desfecho lamentável de sua competição.
Quem mais sofreu com a briga foi o próprio Edílson, porém. Horas depois, o técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxemburgo, cortou o atleta que disputaria a Copa América. Admito que errei; não sou santo, disse o jogador.Choque paulista põe frente a frente protagonistas da tumultada final do Campeonato Paulista, disputada no dia 20 de junho
Arquivo FolhaNERVOS À FLOR DA PELEPaulo Nunes, observado por Zinho, faz falta em Rincón no último clássico disputado pelas equipes no Morumbi





