Ticão faz alerta para os perigos do futebol atual
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domingo, 27 de janeiro de 2002
Lúcio Flávio MouraReportagem Local 
Na semana em que seu pupilo mais querido o meia-defensivo Kléberson, do Atlético chegou à Seleção Brasileira, Aliomar Mansano, o Ticão, supervisor-geral do PSTC, considerado o olheiro mais famoso da região de Londrina, alerta: a cidade está perdendo parte de seus craques para as drogas e a criminalidade.
Na função desde 1977, quando começou a trabalhar na supervisão dos juniores do Londrina, o ex-goleiro já viu de tudo no futebol. Homossexualismo, convocações suspeitas para seleções brasileiras amadoras, a influência nefasta de empresários no desempenho dos garotos, as transferências precoces de garotos para o futebol europeu.
Mas nada o preocupa mais que o aumento do poder marginal nas comunidades carentes, a seara tradicional de onde saem os futuros craques do Brasil.
Tá difícil de trabalhar de uns tempos para cá. Quantos casos já não acompanhei de meninos que jogavam muita, mas muita bola e hoje estão por aí com um cachimbo de crack na mão, lamenta. Quando comecei não existia isso. Os meninos tinham menos regalias e eram mais disciplinados, compara.
No seu atual emprego, Ticão tem armas de sobra para enfrentar o problema. O PSTC é uma sociedade de 14 empresários e profissionais liberais que em meados da década de 90 decidiram investir na revelação de jogadores e desde então é considerada uma escolinha-modelo.
Tem um bom e amplo complexo de campos, cercado por refeitório, alojamento e vestiário. Os garotos são incentivados e obrigados a continuar estudando. Acabam tendo atividade em tempo integral. Todo o apoio, enfim, que um garoto da periferia não está acostumado.
A estrutura adequada, no entanto, às vezes é insuficiente para manter a motivação exclusiva para o futebol.
Um dos motivos, segundo ele, é a ganância de certos empresários, que levam os garotos para treinar cada semana em um clube, impedindo que ele consiga se consolidar na carreira. Ticão lembra que a frustração de não emplacar nos primeiros anos pode levar o futuro craque à desmotivação para o esporte. Os empresários vão acabar matando o futebol, prevê, desiludido.


