Tião Abatiá volta ao palco de suas grandes batalhas
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domingo, 04 de janeiro de 2009
Jaime Kaster<BR>Reportagem Local 
Embora fosse um dia de festa, pelo fato de reunir no mesmo local alguns ex-craques do União Bandeirante, o ídolo Tião Abatiá, hoje com 63 anos, parecia olhar com melancolia as dependências do Estádio Comendador Meneghel, em Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio). No último domingo, Abatiá esteve como convidado e deu o pontapé inicial do 2º Jogo das Estrelas, que contou com a presença de jogadores como Nilmar e Lauro, do Internacional, Fábio, do Cruzeiro, e Jumar, do Palmeiras.
O cenário que o veterano craque presenciou era de abandono não que ele tenha dito isso, mas a reportagem da FOLHA sentiu, ao observar o estado desolador em que se encontra o estádio onde o União brilhou nas décadas de 60 e 70. As arquibancadas apresentam rachaduras e terra, falta pintura e os acanhados vestiários parecem que datam da época em que o União ainda era um time grande, dada a estrutura carente e obsoleta.
A gente fica triste de ver o estádio assim descuidado e a cidade sem futebol profissional para dar alegrias à sua torcida. Eu sou do tempo em que o União, juntamente com o Grêmio Maringá e o Londrina, eram os melhores times do interior, tinham elencos fortes e rivalizavam com os times da Capital. Hoje Bandeirante e Maringá nem têm mais futebol profissional, lamenta Tião Abatiá.
O craque do passado culpa o estágio atual do futebol do Norte do Paraná aos modelos de clube-empresa. Estamos vivendo um tempo diferente. O futebol não é mais dos clubes nem das cidades, mas das empresas. Veja o que acontece com a Adap: estava em Campo Mourão, largou a torcida na mão e foi para Maringá. Agora já abandonou Maringá também. Desse jeito não há torcida que agüente, e nem torcedor que se identifique com um time ou com os jogadores, raciocina Abatiá.
Na sua época fez questão de frisar , os jogadores se identificavam com o clube, pois permaneciam muito tempo na equipe. Eu e o Paquito (centroavante com o qual fez uma dupla histórica no União e no Coritiba) ficamos de 1966 a 1971 aqui em Bandeirantes. Depois fomos juntos para o Coxa e ficamos lá até 1975, onde fomos campeões quatro anos consecutivos, contou. A dupla infernal foi quatro vezes artilheira do Campeonato Paranaense. Em 68 e 69 Paquito, que era atacante mais de área, foi o artilheiro, e Tião Abatiá o vice. Já em 70 e 71 os papéis só se inverteram, com Abatiá na frente.
A gente era forte jogando aqui e não se intimidava. Eu digo com orgulho que em seis Paranaenses pelo União nós nunca perdemos para o Coritiba, ressaltou Abatiá. Hoje ele vê com pouca empolgação a iniciativa de empresários da cidade que montaram o Bandeirantes E.C., um clube-empresa que está investindo somente na formação não tem previsão de disputar campeonatos profissionais.


