Tiago, 18 anos, do judô, ganha prata
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segunda-feira, 18 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare Enviada da Folha a Sydney 
Depois do bronze conquistado pela equipe do revezamento 4 x 100 metros na natação, chegou a vez da prata. E prata com sabor de ouro para o judoca Tiago Camilo, 18 anos. Após uma campanha brilhante, Tiago perdeu a medalha de ouro na luta contra o italiano Giuseppe Maddaloni, 24, bicampeão europeu (98/99), na categoria leve menos de 73 kg.
Quando perdi a luta fiquei chateado e chorei muito, porque vim para buscar o ouro. Mas depois, quando parei para pensar, vi que esta medalha já é ouro para mim. Tá muito bom para o meu tamanho, disse o atleta, que por ser muito jovem disputa ainda provas na categoria júnior no Brasil. Ainda sou proibido de participar de competições adultas, ele esclarece.
Mesmo com a pouca idade era o segundo atleta mais novo da modalidade, em Sydney Tiago surpreendeu os adversários. Começou todas as lutas em desvantagem e se recuperou no final. Na primeira, contra o israelense Gil Offer, conseguiu um ippon, no último minuto. Na segunda, contra o argelino Noureddine Yagoubi, recuperou-se do yuko sofrido e terminou a luta com 3 pontos um ippon, um waza-ri e um yuko. A terceira, contra o português Michel Almeida, terminou empatada e foi decidida pela arbitragem: pela sua iniciativa no tatame, acabou sendo privilegiado. Contra o coreano Yong-Sin Choi, começou perdendo por um koka, mas fechou em grande estilo com mais um ippon.
Tinha de manter a cabeça no lugar, porque todos os atletas tinham mais força do que eu. Guardava forças para o final, quando eles já estavam cansados, explica Tiago. A tática só não deu certo na luta contra Maddaloni. Na decisão, parti para o tudo ou nada, armei um golpe de risco, mas passei direto, recorda-se.
Segundo Geraldo Bernardes, técnico da seleção de judô, a decisão do atleta foi muito acertada. No intervalo, antes da final, conversei com ele e pedi para ele lutar como se estivesse participando de uma prova seletiva no Brasil, só para que ele pudesse controlar a pressão. Ele demonstrou estar tranquilo e a decisão foi perfeita. Quando se está perdendo, tem que arriscar. Quem não arrisca, não tem chances de ganhar.
Com a medalha, Tiago também entra para a história esportiva brasileira. Esta é a nona medalha olímpica do judô em cinco olimpíadas consecutivas. As outras medalhas foram conquistadas por Aurélio Miguel (ouro em Seul-88); Rogério Sampaio (ouro em Barcelona-92); pelo londrinense Douglas Vieira (prata em Los Angeles-84); Chiaki Ishii (bronze em Munique-72); Walter Carmona (bronze em Los Angeles), Luis Onmura (bronze em Los Angeles); Henrique Guimarães (bronze em Atlanta-96) e Aurélio Miguel (bronze em Atlanta).
O italiano Maddaloni, novo campeão olímpico dos leves, fez questão de cumprimentar o peso leve brasileiro, que nas seletivas olímpicas eliminou o experiente Sebastian Pereira. Diga ao Tiago que o respeito muito por sua juventude, afirmou Maddaloni. Chegar a uma final olímpica aos 18 anos de idade foi bravíssimo. O judoca italiano chorou no pódio e ofereceu a medalha aos pais. Isso é fruto de muito trabalho. Foram quatro duros anos de preparação. Essa medalha é de minha família.
Amarelinho Graças a um desmaio após a conquista do primeiro lugar nos Jogos Mundiais da Juventude de Moscou (98), quando viu a bandeira brasileira subir ao som do hino nacional, Tiago Camilo ganhou o apelido de Amarelinho. Ele começou cedo: aos cinco anos, depois de assistir à uma aula de judô do irmão mais velho, Luiz Francisco, hoje com 21 anos. Hoje já acumula títulos. Foi campeão (meio-leve) no Mundial Júnior de Cáli (98); campeão (leve) nos jogos Mundiais da Juventude de Moscou (98), campeão (meio-médio) pan-americano (99). Tiago é um campeão nato. Até hoje perdeu muito pouco. É um verdadeiro fenômeno no judô brasileiro, avalia o técnico Bernardes.


